Uma operação da polícia federal, com apoio da Controladoria Geral da União, cumpre sete mandados de busca e apreensão de documentos da ONG Pra Frente Brasil, de Jaguariúna. A suspeita é de desvio de recurso públicos do programa Segundo Tempo, do Governo Federal. A organização não governamental é gerenciada pela ex-jogadora de basquete e vereadora pelo PCdoB em Jaguariúna, Karina Valéria Rodrigues.
Segundo o relatório da CGU, usado nas investigações da Polícia Federal, a ONG recebeu do Ministério dos Esportes, de 2007 a 2011, cerca de R$ 30 milhões, além de mais R$ 3,5 milhões em 13 cidades do estado de São Paulo. A ONG deveria desenvolver atividades esportivas educacionais e atender a cerca de dezoito mil crianças. Só que, segundo o inquérito, o número atendido é substancialmente menor, além disso a entidade não forneceu os serviços e materiais esportivos em qualidade e quantidade que declarava.
A Polícia Federal apura também a existência de vínculo entre pessoas que trabalharam nas empresas fornecedoras da ONG e a entidade, a desproporcionalidade entre o material esportivo comprado e a estrutura física dos locais de treinamento. Segundo PF, há indícios de irregularidades nos pagamentos antecipados para fornecimentos que ocorriam ao longo do tempo, a falta de aplicação de recursos não utilizados e o sumiço de 1.547 bolas de futebol. Além disso, alguns locais de busca são de endereços residenciais em que foram estabelecidas empresas de fachada, que receberam milhões de reais da ONG Pra Frente Brasil de Jaguariúna.
De acordo com a polícia federal, a ONG mudou por diversas vezes o corpo diretor, sendo que o comando era constituído por pessoas próximas à criadora da organização, a vereadora Karina Rodrigues, em geral parentes, incluindo até pessoas de idade avançada, como é o caso de uma vice-diretora, nascida em 1927.
Os possíveis crimes praticados são fraude às licitações, pena que pode chegar a 6 anos de detenção, além de multa, crimes de peculato, de 2 a 12 anos de reclusão, e formação de quadrilha, 1 a 3 anos de detenção.
As suspeitas sobre a Ong Pra Frente Brasil, da ex-jogadora Karina, começaram após reportagem do programa “Fantástico”, da TV Globo, no ano passado. A denúncia era que a ONG teria contratado empresas de fachada para fornecer lanches e material esportivo, com participação de “laranjas”. No ano passado, o programa da Globo mostrou que a entidade teria direcionado licitações para beneficiar empresas de parentes e pessoas ligadas a ex-jogadora de basquete.
