O Sindicato dos Servidores de Campinas convocou os trabalhadores da saúde a paralisarem as atividades por um dia nesta quinta-feira para reivindicar melhores condições de trabalho e de atendimento à população. Entre os motivos do protesto, pelo menos um deles causou um grande estranhamento da Administração Municipal. O pagamento do ICV (Índice de Condições de Vida) que já é pago aos médicos e deveria passar a ser pago a partir de julho também aos agentes comunitários de saúde, de acordo com termo firmado durante campanha salarial de 2012. No entanto, por haver a necessidade de um Projeto de Lei para implantar o benefício, o sindicado assinou um acordo junto à Prefeitura concordando com o prazo de até 5 de outubro para aprovação na Câmara Municipal. Por isso, o Secretário Municipal de Saúde, Fernando Brandão, não consegue entender o protesto. A Reportagem teve acesso ao documento e confirmou a assinatura do acordo entre Prefeitura e o Sindicato.
Não tão simples de resolver através de acordos é a insegurança vivida por médicos, enfermeiros e até recepcionistas do atendimento de saúde pública, que se veem ameaçados diariamente por pacientes insatisfeitos com o serviço público de saúde de Campinas. Um outro motivo para o protesto, apontado pelo coordenador do sindicato, Jadirson Tadeu, que reivindica pelo menos a instalação e o funcionamento adequado de câmeras de segurança para inibir os atos de agressão. Uma situação confirmada por uma enfermeira, que não quis se identificar, que afirma ter sido agredida verbalmente e ameaçada por um paciente que estava muito tempo aguardando atendimento. Outra reivindicação da categoria é um cálculo mais justo para o adicional por insalubridade, que o sindicato alega estar congelado há 17 anos.
Balanço
Segundo a prefeitura de Campinas, a paralisação dos funcionários da saúde afetou 3,7% dos 5.500 funcionários da rede da cidade. Os atendimentos nas policlínicas, centros de referências, pronto-atendimentos e nos hospitais Mário Gatti e Ouro Verde não foram afetados. A urgência e emergência também não foram prejudicadas. Ainda de acordo com a administração municipal, os funcionários que aderiram ao movimento são, em sua maioria, agentes de saúde, profissionais que fazem trabalhos externos, como visitas de controle à dengue.
