O hospital Mário Gatti em Campinas não consegue atender a lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff que determina que o tratamento para pacientes oncológicos comece em até 60 dias, após o resultado da biópsia. O prazo é ultrapassado nos casos em que a pessoa diagnosticada com câncer precisa ser tratada através da radioterapia.
Desde abril, há 45 pacientes aguardando para começar o procedimento, sendo que a média só para a liberação da radio é de 60 dias. Por causa da demora, novos pacientes que precisam da radioterapia estão sendo remanejados para outros hospitais, principalmente o Centro Boldrini.
De acordo com a médica Hematologista e Coordenadora do Serviço de Oncologia do Mário Gatti, Patrícia Gama, o problema é complexidade do procedimento, que exige equipe e equipamento específicos.
O hospital está com apenas um equipamento de radioterapia, o acelerador nuclear, já que o outro não tem mais condições de uso, devido a idade: 35 anos. Até a primeira quinzena de maio, o aparelho mais antigo, de Cobalto, ainda funcionava, amenizando a demora na fila de espera.
Dentro deste cenário, uma solução, apresentada pela própria coordenadora do Serviço de Oncologia seria ampliar o horário de atendimento, o que exigiria mais profissionais. O Diretor da unidade hospitalar, Mário Sérgio Zaidan, reconhece a necessidade e fala que algumas ações já estão sendo feitas, porém a normalização não deve acontecer no curto prazo.
Na área de Recursos Humanos do hospital, os agravantes são as especializações exigidas para determinados profissionais, por exemplo a necessidade de graduação em Física, especialização e o título da Comissão de Energia. Hoje, o Mário Gatti conta apenas com uma profissional com este nível.
Sobre os técnicos em radioterapia, o problema é a falta de estímulo, já que o profissional é mesmo do Raio X. No entanto, o salário compatível entre as duas funções, faz com que optem pelas radiografias, dado grau menos estressante.
Os casos de câncer mais graves não aguardam na fila e são encaminhados emergencialmente para o tratamento.
Apesar da lei que recomenda o tempo máximo para início do tratamento do câncer já estar em vigor, a recomendação é para que os hospitais façam a adequação até o final do ano.
