O cenário impressiona até mesmo quem vive na área há mais de 60 anos. Neste verão atípico, com temperaturas elevadas, tempo seco e baixo volume de chuva, o Rio Atibaia, uma das principais fontes de abastecimento de Campinas, apresenta um volume mínimo de água, no trecho que corta os distritos de Sousas e Joaquim Egídio. A vazão é tão pequena, que em alguns pontos, o fundo do rio pode ser visto. As margens estão praticamente secas.
O nível diminuiu e chegou a apenas 60 centímetros, muito distante da média histórica desta época do ano, que é de aproximadamente três metros. A população que vive nos distritos de Sousas e Joaquim Egídio há décadas garante que nunca viram essa situação antes. É o caso de Rubens Ricci, que vive na região há 62 anos. Ele se emocionou ao comentar a atual situação do Rio Atibaia. Marina Aparecida Bozzi mora em Joaquim Egídio desde que nasceu, há 44 anos. Ela lamentou a atual situação e revelou estar preocupada com um provável racionamento de água. Antonio Carlos dos Santos, trabalha como caseiro em um imóvel que fica próximo as margens do Rio Atibaia. Ele esperava que o nível de água estivesse bem superior. Edgard Ramalho Neto, que também mora na região, afirmou que 42 anos nunca tinha visto algo parecido.
Sem chuvas, o reservatório do Sistema Cantareira da Sabesp, que é o principal fornecedor de água para a capital e regulador da vazão dos mais importantes rios da região de Campinas, está operando com apenas 22% da capacidade total. O nível de água é o mais crítico dos últimos 39 anos e forçou cidades do interior, como Valinhos e Campinas a adotar medidas de racionamento de água.