Os custos da dessalinização da água podem ser menores do que o previsto pelo Consórcio PCJ, mas ainda estão fora da realidade brasileira devido às adaptações geográficas necessárias. O processo, que permite que a água do mar fique potável, sempre foi considerado caro no País, mas passou a ser discutido com maior frequência em meio à crise hídrica no Estado de São Paulo.
O PCJ chegou a simular a implantação de uma usina em Bertioga, no litoral paulista, e estimou o valor inicial em 6 bilhões de reais. Mas agora, prevê o total em 2 bilhões, após consultas a especialistas israelenses. Segundo o secretário-executivo do Consórcio, Francisco Lahoz, o projeto atenderia mais de 14 milhões de pessoas entre a Grande São Paulo e Região de Campinas, mas não possui detalhamento prático e definitivo.
Para ele, a medida seria cabível se um modelo sustentável fosse seguido através de parcerias público-privadas, assim como acontece em Israel há 12 anos. O país do Oriente Médio é pioneiro e serve como referência. O exemplo foi apresentado pelo Cônsul para Assuntos Econômicos de Israel, Boaz Albaranes, durante reunião em Indaiatuba. Ele destacou o baixo impacto ambiental e o preço do metro cúbico de água.
Mas de acordo com o professor do Departamento de Recursos Hídricos da Unicamp, Antonio Carlos Zuffo, a realidade brasileira ainda não é favorável para a dessalinização porque os custos seriam muito altos. Ele cita a Serra do Mar no litoral paulista como exemplo e acredita que outras medidas mais simples poderiam servir melhor às características do estado e de outras regiões do Brasil. O controle de perdas nos sistemas de distribuição também é apontado como solução. Para se ter uma ideia, o desperdício pode chegar a 30% no Rio de Janeiro, mas não passa de 3% em Tóquio, no Japão.