Criado para ser um marco no cenário paisagístico da Avenida Princesa do Oeste, em Campinas, o Memorial Carlos Gomes está bem aquém da posição de destaque que merecia. O local fica no canteiro central da avenida, sob o Viaduto Laurão e foi inaugurado em dezembro de 2006 pela prefeitura juntamente com a Sanasa, com direito a queima de fogos e Orquestra Sinfônica Municipal por ocasião da entrega da revitalização da Princesa D’Oeste.
Na área, três monumentos em ferro lembram as principais obras do maestro campineiro: O Guarani, Lo Schiavo e Maria Tudor. À época, a proposta era de que as obras se tornassem um referencial artístico e cultural para o município e para os visitantes.
Quem passa pelo local hoje encontra as obras degradadas. As três placas que traziam detalhes de cada monumento foram furtadas. Dois dos três monumentos, inclusive, tiveram pedaços de ferro arrancados. Se não bastasse, a própria placa descerrada pelas autoridades inaugurando o Memorial Carlos Gomes não existe mais e muito menos a estrutura de alvenaria que a colocava em destaque no meio do espaço.
Talita Sousa é paulistana e trabalha próximo da avenida em Campinas. Ela valoriza a iniciativa de se ter intervenções culturais ao ar livre mas ressalta a necessidade da preservação da história
Além dos monumentos, há um chafariz que também está degradado. Em alguns trechos do calçamento, o piso está todo quebrado e, em um ponto, no dia em que a reportagem foi ao local, um cavalete da Emdec alertava para o buraco na calçada.
Daniele Padilha também trabalha próximo da avenida e, olhando o estado atual dos monumentos, classifica como falta de respeito à sociedade
Para a revitalização da Avenida Princesa D’Oeste a Prefeitura e a Sanasa investiram R$ 20 milhões na drenagem de águas pluviais, instalação de emissário de esgoto, reforma do viário e recuperação paisagística na avenida.
Procurada pela reportagem a Prefeitura informou que o espaço é de responsabilidade da Sanasa. Esta, por sua vez, disse que um técnico irá ao local para verificar os trechos do calçamento que estão esburacados.
Disse também que os monumentos passarão por manutenção e restauro a partir da reativação do chafariz existente. O chafariz, contudo, foi desativado em função da crise hídrica e só voltará a funcionar quando a crise acabar. Nenhuma data, no entanto, foi informada.
