No cargo há mais de dois meses, o prefeito de Paulínia, José Pavan Júnior, do PSB, diz ter herdado uma dívida de R$ 196,6 milhões da administração do cassado Edson Moura Júnior, do PMDB. O montante envolve R$ 173,8 milhões em débitos a curto prazo e R$ 22,7 milhões que foram retidos e não repassados do Instituto de Previdência dos Funcionários Públicos da cidade. Os dados estão no balanço feito por Pavan após mais de 70 dias à frente do Executivo. No anúncio, ele atribuiu ao antigo prefeito uma série de descumprimentos e disse que vai buscar meios para quitar as dívidas. Uma parte dos contratos a curto prazo foi paga e soma R$ 58 milhões.
Mas as pendências envolvendo o Instituto Pauliprev ainda dependem da aprovação da Câmara de Vereadores para ser parcelada. Outra quantia levantada e paga pela atual gestão é ligada ao INSS e soma R$ 3,9 milhões. O valor, segundo Pavan, foi recolhido, mas não repassado por Moura Júnior, o que configura apropriação indébita. Problemas semelhantes também foram identificados no uso do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica, cujo repasse obrigatório é de 95%, mas possui uma diferença de mais de R$ 13,3 milhões. A aplicação, segundo o levantamento de José Pavan Júnior, não passa de 79%, o que também demonstra que os valores federais foram utilizados em funções não originais, já que o saldo bancário do Fundeb era zero.
Com o resultado em mãos, a Administração agora quer apresentar os documentos ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público para que as responsabilidades sejam detalhadas e as medidas tomadas. Sobre a suspensão do Festival de Cinema e da produção de filmes, Pavan informou que deve propor um projeto de lei para que parte da bilheteria das obras retorne à cidade. A ideia é barrar o uso de verbas municipais. A assessoria de Edson Moura Júnior foi procurada, mas não respondeu sobre o levantamento da atual gestão até o fechamento desta reportagem.
