O medo faz parte da vida dos caminhoneiros em meio aos roubos de carga cada vez mais frequentes na região de Campinas. Somente em março, foram 17 casos na cidade, contra 14 no mesmo mês de 2014. Rovilson Tomás conta com a fé e busca evitar que a preocupação afete o trabalho. Para ele, a situação é parecida em todo o Brasil, mas chama a atenção em São Paulo devido à organização das quadrilhas. A saída, segundo Anésio Modesto, é manter contato com as seguradoras e os responsáveis. Ele busca informar os horários de saída e chegada e ainda avisa sobre os locais de parada para abastecimento ou descanso.
A medida é a maneira de evitar abordagens em postos de combustíveis, locais escolhidos pelos bandidos porque muitas vezes são isolados e não contam com o devido monitoramento eletrônico ou policiamento. Na noite do último dia 6, por exemplo, um motorista ficou pelo menos três horas em poder dos criminosos depois de ser surpreendido em São Roque. A carga de álcool foi levada e ele só foi libertado em Campinas.
O panorama de incerteza e o sentimento de impotência são confirmados pelo advogado especialista no setor de Transportes, Marcelo Piccoli. O segmento, segundo ele, se esforça para dobrar a segurança. Ele elogia o trabalho e a busca das polícias por mais articulação, mas pede mais atenção já que esse tipo de ataque é a nova aposta do crime organizado. Enquanto isso, as transportadoras criam os próprios meios.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que “conta com um sistema de georreferenciamento das áreas em que ocorrem os roubos” e dos “locais onde as cargas são recuperadas”. O comunicado ainda diz que o mapeamento é compartilhado com as polícias de todo o Estado e que todas as delegacias do interior contam com Núcleos Especializados de combate a este tipo de crime.
