Nove moradores de rua morreram em Campinas nos últimos três meses, o que mobiliza a Prefeitura, a Câmara Municipal e o Conselho de Saúde da cidade, que buscam identificar as causas e evitar novos registros fatais. Uma das suspeitas é de que uma bebida à base de álcool combustível, suco em pó e açúcar esteja relacionada ao problema, que acontece principalmente na região central e se agravou com a chegada do frio.
Para impedir que pessoas em situação de rua tenham acesso ao etanol, uma campanha já foi iniciada pela Pasta de Cidadania e Assistência, que se reuniu com os sindicatos dos frentistas e dos postos de combustíveis. As entidades de classe também devem ser ouvidas pelo Legislativo para evitar a venda e o acesso ao etanol, assim como organizações que prestam apoio aos moradores de rua, que vão detalhar as condições.
Depois disso, segundo o vereador e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa, Carlão do PT, o Executivo vai ser convocado. Por esse motivo, ele deve pedir que o trabalho continue mesmo durante o recesso. A pausa na Câmara acontece no mês de julho e a previsão do vereador é que outras comissões, como a de Segurança, possam se envolver no debate, que também envolve órgãos de fiscalização e de policiamento.
Para o presidente do Conselho de Saúde de Campinas, Paulo Mariante, o trabalho de assistência e apoio consiste ainda na identificação dos principais problemas de saúde e fragilidades dos moradores de rua. Ele cita o programa Consultório na Rua como exemplo, veículo que circula todos os dias pelo município e lida diretamente com as pessoas em situação de vulnerabilidade, o que pode evitar novas mortes. Enquanto isso, equipes da Prefeitura visitam comunidades de moradores de rua e distribuem cartilhas sobre o risco de consumir etanol.
