A decisão do Tribunal de Justiça que estabelece a desocupação imediata da Vila Soma, em Sumaré, foi recebida com naturalidade pelos moradores, que reafirmam que só saem se houver garantia de realocação. Acostumada com o impasse devido a vários recursos ao longo dos anos, Eurídice da Conceição, mora no local desde a chegada das primeiras famílias em 2012 e conta que espera por uma resolução favorável a todos.
A propriedade privada tem 500 mil metros quadrados e está envolvida em um processo judicial de uma antiga empresa. A Prefeitura estima que mil famílias vivem no local. Já os moradores contam pelo menos três mil. O casal Luiz Valter de Sousa e Maria Socorro Rodrigues relata que o acesso à energia elétrica é feito de maneira improvisada e que a água é retirada de uma bica próxima à região, distante da casa onde mora.
A possibilidade mais provável e esperada pelo membro do Comitê de Moradia de Sumaré, William Souza, é de que o grupo receba garantias de um destino adequado em um espaço que comporte todas as famílias. Apesar do comunicado sobre a desocupação, ele defende os moradores e o movimento e acredita em um desfecho positivo, já que muitos não têm para onde ir e a decisão em primeira instância ainda pode ser revertida.
O líder dos moradores ainda lembra do uso de força policial para a retirada de famílias do Pinheirinho, em São José dos Campos, em 2013. No comunicado sobre a decisão no último dia 22, o TJ ainda pediu ao Grupo de Apoio às Ordens Judiciais de Reintegração de Posse sobre medidas para evitar e amenizar danos e riscos durante a desocupação. Alvo de protestos dos moradores, que alegam descaso, a Prefeitura de Sumaré diz que não é autora da reintegração, porque a área não é pública e que a prevê inclusão das famílias no Programa Minha Casa, Minha Vida.
