A morte de Izaura Gomes Paes, de 75 anos, na madrugada do último dia 29, não será facilmente esquecida pelos moradores da Vila Brandina, em Campinas, que tentam voltar à rotina uma semana depois do ocorrido. Conhecida por muitos no bairro, a aposentada foi baleada na barriga no meio da tarde do dia 28, quando voltava de uma aula de ginástica e se deparou com uma ação da polícia militar contra o tráfico de drogas. A situação emociona Valdeci dos Santos, que convivia com Izaura. Ela pede Justiça e conta que conhecia a aposentada há muitos anos.
O tiro partiu da arma de um policial militar que disse no boletim de ocorrência que o disparo foi feito durante uma disputa corporal entre ele e um suspeito, versão que é questionada por testemunhas do bairro. Moradores dizem ter visto quando o PM atirou e acabou atingindo a idosa, que morreu horas depois de ser socorrida. Visitando a filha, o baiano Jasmiro Feitoso viu toda a movimentação e ainda se diz preocupado.
Se a sensação ainda é de preocupação, a tensão diminui gradativamente e gera reflexos no comércio do bairro. Com a rotina sendo retomada aos poucos, o açougue no qual Danilo Carvalho trabalha já abre normalmente. O estabelecimento, segundo ele, teve que permanecer fechado no dia da morte da idosa, já que um grupo de moradores bloqueou o sentido centro da Rodovia Heitor Penteado e chegou a atear fogo em um ônibus na via.
Devido ao ato, a movimentação de policiais militares foi grande nos dias posteriores, o que aumentou o medo no dia do sepultamento da aposentada e fez com que muita gente não saísse de casa na região. O caso é investigado pela Polícia Civil, que deve começar a ouvir depoimentos, e também é acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar.
