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Unicamp reage a PL que destina verba a pensões

O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, condenou com veemência o Projeto de Lei apresentado pelo governador João Doria, que prevê a retirada de recursos das universidades paulistas para o pagamento

Unicamp reage a PL que destina verba a pensões
Foto: Antoninho Perri

O reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, condenou com veemência o Projeto de Lei apresentado pelo governador João Doria, que prevê a retirada de recursos das universidades paulistas para o pagamento de pensões e aposentadorias.

O estado enviou à Alesp o PL 529/2020, que prevê a extinção de mais de dez autarquias e fundações estaduais, como a Fundação Parque Zoológico e a EMTU. Desde que foi apresentado, o projeto foi duramente criticado por cientistas, por causa de um trecho da proposta: o artigo 14.

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Esse trecho prevê que o superávit financeiro de autarquias e fundações estaduais seja direcionado para o tesouro estadual ao final de cada exercício. O montante seria usado para o pagamento de aposentadorias e pensões do regime próprio de Previdência Social do estado.

Em outras palavras, a medida impactaria diretamente nos fundos das universidades estaduais como a Unicamp, a USP e a Unesp, com a transferência das reservas de caixa dessas instituições diretamente para os cofres do estado.

Segundo o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, a proposta do estado é descabida e se configura num claro ataque à autonomia universitária. “Volto a insistir. Além da questão financeira, eu acho que o ponto fundamental e problemático nesta lei, é a questão do ataque à autonomia universitária, que é um patrimônio que a gente tem no nosso país e em particular no estado de São Paulo”, acredita.

O reitor da Universidade Estadual de Campinas ressalta que, se aprovado, o PL colocará em risco toda a produção científica do estado de São Paulo. Marcelo Knobel relata que as instituições terão dificuldade para pagar salários, décimo terceiro, além do financiamento de pesquisas.

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“Se esse recurso for retirado, não teremos condições de pagar salários, de pagar décimo terceiro, de continuar o atendimento adequado nos hospitais, de continuar as pesquisas, de pagar bolsas de permanência para os estudantes. Ou seja, será realmente um problema muito sério para a universidade”, afirma.

Em nota enviada à imprensa, o governo de São Paulo informou que não é justo que a população mais carente fique desassistida em medicamentos ou no atendimento à saúde, enquanto as universidades podem ficar com as sobras de recursos em caixa.

O conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas informou que assim que tomou conhecimento do Projeto de Lei iniciou as discussões e ações junto aos poderes executivo e legislativo para avaliar suas implicações e seus impactos na autonomia universitária. O Cruesp garantiu que não vai medir esforços para garantir as finanças das universidades, reafirmando sua autonomia.

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