Campinas, Sumaré e Paulínia foram alvos de uma Operação da Polícia Federal na manhã desta terça-feira para apurar fraude na licitação para montagens de dois hospitais de campanha em Paulínia durante a pandemia, entre abril e maio de 2020, no valor de 4 milhões de reais. A investigação partiu de um inquérito da Polícia Civil que já foi encerrada porque a empresa contratada não chegou a receber o pagamento.
No entendimento da Polícia Federal, no entanto, houve fraude. A investigação revelou que toda a negociação para a escolha da empresa vencedora ocorreu antes do processo licitatório. E que, além disso, havia ligação entre as empresas solicitantes. De acordo com o delegado de Polícia Federal, Edson Geraldo de Souza, chefe da delegacia em Campinas, a suspeita partiu da abordagem da Polícia Civil a um caminhão suspeito, inicialmente, de carga roubada e ao vistoriarem o veículo, foi constatado que na carga havia toda a estrutura metálica utilizada para a montagem dos hospitais.
Edson de Souza conclui que a empresa já estava em Paulínia com todo o material da obra, antes mesmo da empresa vencedora ser anunciada. “Isso sugere duas coisas. Ou a empresa viajou 800 km de caminhão em 4 horas ou já sabia que seria vencedora. E ainda reservou o hotel para os funcionários antes de saber se seria a vencedora”. Foi ainda constatada a ausência de capacidade técnica da empresa para montar os hospitais, porque era voltada a área de eventos. A investigação não apontou indícios da participação do prefeito de Paulínia e nem dos secretários das pastas de saúde e jurídico.
Mas, o delegado apontou a insistência do então secretário de obras, que foi afastado do cargo em novembro de 2020, em reiniciar a licitação, que acabou não ocorrendo. “Quando o caminhão foi abordado e a situação veio à tona, a secretaria de obras tentou reiniciar o processo licitatório, juntando novos orçamentos e com esses novos orçamentos, descobrimos novas relações entre as empresas concorrentes, mostrando que muitas delas estavam apenas apresentando propostas cobertura para que a empresa contratada assumisse o serviço”.
Foram 14 mandados de busca e apreensão expedidos pela Nona Vara Federal de Campinas, em endereços, além da região, também em São José do Rio Preto, capital paulista /e Florianópolis e Biguaçu, em Santa Catarina. A Prefeitura de Paulínia ressaltou em nota que o prefeito Du Cazellato e os secretários de saúde e jurídico não são investigados e se colocaram à disposição para colaborar com a investigação.