O alto preço do diesel obriga caminhoneiros autônomos a diminuírem o lucro para não perderem trabalhos.
Morador de Campinas, Robson Menezes entrega chapas de ferro para empresas na região.
Ele afirma que cobra R$ 3.500 para entregas de 300 quilômetros, mas que o valor está desatualizado.
“Hoje seria bom cobrar entre R$ 4.300 e R$ 4.400, que era a média, mas não dá para chegar nesse valor se não você não consegue pegar [fretes]. Aí, a gente acaba perdendo. Para não perder, a gente tira do bolso – o lucro é menor – para conseguir ter um pouquinho de dinheiro para poder colocar arroz e feijão dentro de casa.”
A caminhoneira Elizandra Vieira faz entragas para empresas do setor de carnes. Ela afirma que gasta R$ 28 mil para abastecer quatro caminhões por mês e que não consegue reajustar o preço do frete para acompanhar todos os reajustes do diesel.
“ R$ 28 mil. São quatro caminhões e o abastecimento deu aquele estouro. E como que a gente faz? Sai do meu bolso da gente porque somos freteiros, então sai do bolso da gente. Eles [os contratantes] estão reajustando, mas nunca chega.”
De acordo com a ANP, o preço médio do diesel é R$ 7,44.
Na última semana, o Governo Federal estendeu o prazo para que distribuidoras de combustíveis apresentem a comprovação dos Créditos de Descarbonização (CBIO). O novo prazo é março de 2023.
A medida desvalorizou o preço do ativo, que caiu de R$ 200 para R$ 91.
Com o decreto, a expectativa do Ministério de Minas e Energia é de que o preço do diesel caia R$0,10 por litro.