O Brasil fechou 2022 com a inflação acima do teto da meta estipulada pelo governo. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) aumentou 0,62% em dezembro, e com isso a inflação acumulada no ano fechou em 5,79%, acima da meta de 3,5%, e também do teto da meta, de 5%. Este foi o quarto ano consecutivo no qual o país fechou o ano acima da meta estabelecida. O dado positivo é que 2022 registrou uma inflação menor que a de 2021, que foi de 10%.
A grande vilã da inflação, segundo o IBGE, foi a alimentação. Comer em casa ficou 13,2% mais caro em 2022, enquanto os preços da alimentação fora de casa subiram 7,4% em média.
Edson Shimabukuro tem uma banca de hortifrúti no Mercadão de Campinas, e aponta quais itens tiveram os maiores aumentos no ano passado. “Foi a batata e a cebola, em uma semana tava tipo R$ 90, e passou dois, três dias já estava o dobro, e o consumidor vai pagar esse preço, a gente tenta fazer o máximo para segurar os preços, não colocar muita porcentagem em cima para não encarecer muito para nossos clientes, mas assim mesmo fica pesado”. De fato, a cebola teve a maior alta no ano, 130%, e a batata 52%. Outros itens alimentícios que subiram bem foram o leite longa vida, que teve alta de 26%. Já as frutas subiram em média 24%, e o pão francês ficou 18% mais caro. Afetaram os preços as questões climáticas, além da alta no preço dos combustíveis e também de fertilizantes.
E aí não tem jeito mesmo, o consumidor final vai arcar com esses aumentos. Cláudia Coelho é cozinheira, e vende marmitas saudáveis. Portanto, o preço dos alimentos impacta diretamente o negócio dela. Ela lista quais tipos de alimentos têm custado mais na hora de comprar. “Proteínas, peixe, frango, carne, legumes também subiu bastante, brócolis, couve-flor, a gente tem procurado segurar o máximo pra não ter de repassar pro cliente, eu procuro substituir, procurando variedade para poder não mexer nos preços”.
Outro setor com forte alta em 2022 foi o de saúde e cuidados pessoais, com aumento de 11,4%. Os planos de saúde tiveram alta de 6,9%, e os produtos farmacêuticos tiveram aumento de 13,5%.