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MPF investiga suspeita de fraude em licitações da merenda escolar em Campinas

O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito policial para investigar suspeitas de fraude em licitações da merenda escolar de Campinas. A apuração mira editais que, segundo denúncia, teriam sido

MPF investiga suspeita de fraude em licitações da merenda escolar em Campinas
Foto: reprodução/arquivo

O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito policial para investigar suspeitas de fraude em licitações da merenda escolar de Campinas. A apuração mira editais que, segundo denúncia, teriam sido elaborados com regras que dificultavam a participação de concorrentes e acabavam favorecendo fornecedores específicos.

A investigação começou após uma representação da vereadora Fernanda Souto (PSOL), que aponta indícios de direcionamento em contratos milionários financiados com recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

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Entre os pontos questionados estão exigências consideradas incomuns, como embalagens biodegradáveis duplas, critérios técnicos não padronizados e até a obrigatoriedade de determinados temperos em produtos. A denúncia também cita indícios de conluio entre empresas que participariam apenas para simular concorrência.

Um dos exemplos é o Pregão Eletrônico nº 149/2025, que previa a compra de um “kit feijoada” para a merenda. O edital detalhava até os temperos obrigatórios da linguiça suína, como coentro e noz-moscada, e exigia congelamento em túnel a -35°. O processo foi cancelado pela Prefeitura após a denúncia.

Segundo levantamento da vereadora, duas empresas concentram os contratos sob investigação: a Belamesa Comércio de Produtos Alimentícios, que recebeu cerca de R$ 28 milhões, e a Pilar Alimentos, com R$ 14 milhões. Ambas teriam sedes consideradas incompatíveis com o porte das operações.

O despacho do MPF aponta fortes indícios do crime de frustração do caráter competitivo da licitação, previsto no Código Penal. A Polícia Federal, em Campinas, será responsável pela condução do inquérito, com prazo inicial de 180 dias.

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Prefeitura responde

Em nota, a administração municipal afirmou que o prefeito Dário Saadi (Republicanos) não é alvo da investigação. Disse ainda que o próprio Executivo identificou problemas no processo e decidiu cancelar a licitação, antes que houvesse qualquer gasto de recursos públicos.

A Secretaria de Educação informou que abriu investigação interna, afastou a responsável pela Coordenadoria de Nutrição e que vai colaborar com todas as informações solicitadas.

CPI na Câmara

Paralelamente, Fernanda Souto protocolou um pedido de abertura de CPI para apurar o caso na Câmara de Campinas. A proposta já tem 5 das 11 assinaturas necessárias para ser instaurada.

Respostas das empresas

“Em atenção à sua solicitação, a empresa Pilar Alimentos Ltda, informa que não possui conhecimento formal sobre a investigação mencionada, uma vez que não foi notificada pelo Ministério Público. Colocando-se à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários, tão logo seja formalmente notificada”, disse em nota enviada à CBN Campinas.

“Em atenção à sua solicitação, a empresa Belamesa Comércio de Produtos Alimentícios em Geral Ltda, informa que não possui conhecimento formal sobre a investigação mencionada, uma vez que não foi notificada pelo Ministério Público. A empresa atua com estrita observância à legalidade, especialmente por manter contratos com o Poder Público, e considera legítima a atuação fiscalizatória do Ministério Público, colocando-se à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários, tão logo seja formalmente cientificada”, informou em Nota à CBN Campinas.

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