Clientes do empreendimento Reserva Prado, da construtora Patriani, em Campinas, denunciam paralisação prolongada das obras, falta de transparência nas informações e insegurança sobre o cumprimento do prazo de entrega. A empresa admite que reduziu o ritmo dos trabalhos no fim de 2025, mas afirma que o cronograma está mantido.
O engenheiro José Espínola comprou uma unidade no Reserva Prado ainda no pré-lançamento, em setembro de 2023. Segundo ele, o empreendimento foi apresentado como praticamente vendido logo no início, com previsão inicial de entrega para dezembro de 2026. Posteriormente, o prazo foi alterado para maio de 2027.
De acordo com o comprador, o primeiro atraso foi comunicado ainda na fase de fundação, quando a construtora informou que havia encontrado rocha no solo, o que acrescentaria cinco meses ao cronograma.
A principal preocupação, porém, começou em outubro de 2025. Espínola afirma que, desde então, o percentual de execução da obra teria permanecido em 38%, sem avanço visível no canteiro. Ele relata que procurou a empresa e recebeu a informação de que se tratava de uma desaceleração pontual, com promessa de retomada em janeiro. No entanto, segundo ele, o ritmo não foi normalizado nos meses seguintes.
O empreendimento possui 156 unidades, das quais cerca de 140 já foram comercializadas. Para os compradores, a incerteza sobre o prazo de conclusão é hoje a principal preocupação. Além disso, há receio quanto ao impacto financeiro. Espínola afirma que sua família já investiu cerca de R$ 800 mil no imóvel.
Os clientes também questionam a falta de acesso a informações detalhadas sobre o andamento da obra e sobre a comissão de representantes mencionada pela construtora. Segundo o relato, não foram disponibilizados documentos ou contatos que permitam maior transparência ou organização entre os proprietários.
No site Reclame Aqui, há registros de reclamações relacionadas ao empreendimento e a outros projetos da empresa, com relatos de atrasos e dificuldades de comunicação.
O que diz a Patriani
Procurada pela CBN, a Patriani confirmou que houve redução no ritmo das obras entre outubro e dezembro do ano passado. Em entrevista, o empresário Valter Patriani afirmou que a desaceleração ocorreu em meio a um processo de renegociação financeira diante do cenário de juros elevados.
Segundo ele, a empresa optou por priorizar empreendimentos mais próximos da entrega e reduzir temporariamente o ritmo das obras com conclusão prevista para datas mais distantes, como o Reserva Prado.
Valter Patriani afirmou que o empreendimento deve receber reforço de equipes a partir de março, com aumento gradual do efetivo nos meses seguintes. Ele sustenta que o prazo de entrega no primeiro semestre de 2027 está mantido.
O empresário também declarou que cada obra conta com comissão de representantes eleita pelos compradores e que a prestação de contas é feita a esse grupo.
Enquanto a construtora afirma que o pior momento já foi superado e que as obras estão em recuperação, compradores dizem que aguardam sinais concretos de retomada efetiva no canteiro.