O Instituto Nacional de Câncer aponta que o Brasil pode ter mais de 781 mil novos diagnósticos de câncer por ano entre 2026 e 2028. O número é 77 mil maior por ano que o previsto no triênio anterior.
O avanço tem relação com o envelhecimento da população e com a maior exposição a fatores de risco conhecidos, como tabagismo, obesidade, sedentarismo e infecções virais, entre elas o HPV, ligado à maior parte dos casos de câncer de colo do útero.
O oncologista André Sasse afirma que a desinformação é uma barreira preocupante, já que muitas fake news, como uma compartilhada por uma ouvinte durante a entrevista, acabam tendo adesão mais forte. A informação falsa era de que as vacinas contra covid-19 tem relação com os casos de câncer.
O aumento já era esperado, mas a velocidade preocupa. Alguns tipos de câncer têm avançado entre adultos jovens, como os tumores de mama e de intestino, tendência observada em estudos internacionais e que agora aparece também no Brasil.
Crescimento maior em colorretal, pâncreas e endométrio
O câncer de mama feminina e o de próstata seguem como os mais frequentes, cada um com cerca de 15% dos novos casos. Mas outros tumores tiveram avanço proporcional mais rápido. O câncer colorretal cresceu quase 18% em relação ao período anterior. O de pâncreas aumentou mais de 20%. O de endométrio, que afeta o corpo do útero, teve uma das maiores variações, com alta acima de 23%.
Esse movimento reflete mudanças no estilo de vida e no perfil demográfico. A obesidade, o consumo de ultraprocessados e o sedentarismo estão ligados ao aumento de tumores gastrointestinais e ginecológicos.
O câncer de intestino reforça a importância do rastreamento. A colonoscopia permite encontrar pólipos antes que virem câncer. O exame é recomendado a partir dos 45 ou 50 anos, podendo começar antes quando há histórico familiar ou outros fatores de risco.
Prevenção continua essencial
O câncer de colo do útero segue entre os mais evitáveis. A nova previsão indica 19.310 casos por ano no triênio. Estudos mostram que cerca de 97% estão ligados ao HPV. Especialistas lembram que há vacina gratuita no SUS e exames capazes de identificar lesões antes de virarem câncer.
O levantamento aponta que o país vive uma transição no perfil dos tumores, com aumento daqueles ligados ao envelhecimento e, ao mesmo tempo, às vulnerabilidades sociais. Excluindo o câncer de pele não melanoma, a previsão é de 518 mil novos casos por ano.
Tipos mais frequentes
O câncer de pele continua como o mais comum. Para 2026, a projeção é de 263.280 casos de pele não melanoma e 9.360 de melanoma.
Entre as mulheres, o câncer de mama deve registrar 78.610 casos, alta próxima de 7%. Entre os homens, o câncer de próstata deve ter 77.920 novos diagnósticos, com crescimento acima de 8%.
Também avançaram os tumores de bexiga, fígado e cavidade oral, acompanhando o envelhecimento da população e a exposição prolongada a fatores de risco.