De acordo com os dados compilados pelo Deinter-2 e pelo Deinter-9, que abrangem as regiões de Campinas e de Piracicaba, entre os homens infratores e menores de idade, foram 1.794 casos registrados em 2025.
O crescimento em relação a 2024 é de 22,4%, quando foram 1.465 ocorrências.
Mas o índice de aumento foi ainda maior entre as meninas infratoras, que foram 139 em 2025 contra 96 no ano retrasado. Um aumento de 44,8%.
A frieza do número não apaga a trajetória que levou cada um deles ao envolvimento com o crime, como este jovem que conta ter iniciado na prática de delitos aos 14 anos.
“Eu comecei a conhecer um pessoal da bandidagem e acabei me enturmando com eles. Comecei a fazer assalto a carro, comércio, até carga a gente já chegou a roubar. Depois que eu saí da Fundação CASA, com 15 anos, o gerente da biqueira que eu trabalhava não estava mais lá. Daí eu virei gerente e eu comecei a lidar com drogas e acabei querendo experimentar o crack. Isso foi devastador na minha vida”, lamenta.
A socióloga e membro do Observatório PUC-Campinas, Camila Massaro, diz que a falta de instrução é um gatilho para que os menores infratores sejam seduzidos de forma mais fácil pela promessa de dinheiro feita pelo crime organizado.
Camila avalia que a criminalidade explora a lacuna da ausência do Estado.
“Uma gama de fatores que são sociais, econômicos, culturais e, também, pessoais, muito vinculados àquilo que a sociedade vai deixando de se preocupar em ofertar para eles. Eles ainda não têm a completa dimensão das consequências dos seus atos”, analisa.
Para o capitão da Polícia Militar, Paulo Bueno, um dos desafios é a rede de monitoramento criada pelo crime organizado para vigiar os potenciais novos colaboradores para a rede.
“Quando a gente fala dessa questão de perfil social, muitas vezes a criança e o adolescente que não tem uma supervisão atenta, tão assistida dos pais ou da família, ou mesmo do ambiente social em que ela se vê envolvida, acaba sendo cooptada por alguns tipos de crime. Principalmente o tráfico de drogas”, observa.
O policial afirma que o combate ao problema só é possível por meio da ação integrada, especialmente no acolhimento social da comunidade que cerca os jovens nas regiões mais carentes.
“A questão da relevância da atuação da criança e do adolescente na sociedade tem que ser observada. A gente tem o Proerd, em que a gente atua em escolas do Estado e algumas escolas particulares. Todos os serviços sociais, mesmo aqueles não feitos pelo Estado mas por ONGs que envolvem o abraço ao adolescente, à criança, trazendo ele com foco para o seu desenvolvimento. E assistindo ele, evita que o crime organizado coopte para ações e infrções como essas”, destaca.
Um dos principais serviços de ressocialização de menores infratores é a Fundação CASA, mantida pelo Governo do Estado.
Em 2024, a instituição atendia cerca de 4,2 mil adolescentes, a maioria deles (49%) no interior paulista. Outros 28% dos atendidos residem na capital, 16% na Grande São Paulo e 7% no litoral.