CBN Campinas 99,1 FM
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe

Com direito a coral, Fumec alcança 44 mil aprendizes de leitura formados desde 2013

Em nova etapa da campanha "Fevereiro Violeta", entidade sairá em busca de novos alunos em Campinas
Com direito a coral, Fumec alcança 44 mil aprendizes de leitura formados desde 2013
Aulas de alfabetização são gratuitas e recebem inscrições o ano todo na Fumec (Foto: Kevin Kamada/CBN Campinas)

É praticamente ao lado de Viracopos, onde os aviões inspiram voos mais altos e o chão tem apelido de coisa fértil, “Ouro Verde”, que a gente vê brotar a renovação para centenas de campineiros. Estamos na regional Sudoeste da Fumec (Fundação Municipal para a Educação Comunitária)

Mas aqui, o que germinam não são as sementes. Já são muitas árvores frondosas, cada uma do tamanho de suas histórias de vida. 

Pela trajetória de cada um, eles já eram grandes… mas faltava o “adubo” da leitura e da escrita para que os frutos ficassem ainda mais bonitos. Foi o que aconteceu com Ana Rocha, que tem 62 anos e há dois frequenta as aulas da EJA (Educação de Jovens e Adultos) da Fumec.

“Quando eu era pequena, não tive oportunidade, porque eu morava na roça. Não tinha escola perto. Era difícil. A gente foi, mas a cabeça não ajudava muito porque era muito difícil passar. Então a gente não tinha muita cabeça para estudar”, conta a aluna.

O programa de ensino à leitura nasceu em 2013 e, desde então, já acolheu 44 mil estudantes. Hoje, a instituição oferta aproximadamente cem turmas por ano. 

Um número que tende a variar por dois bons motivos: por um lado, a diminuição do número de pessoas com analfabetismo em Campinas. Por outro, o aumento do número de concluintes. 

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 1,6% da população de Campinas (22 mil pessoas) ainda não sabe ler ou escrever

O diretor dos programas de Educação para Jovens e Adultos na Fumec, José Batista de Carvalho, conta que os homens ainda são os que menos procuram a alfabetização

“Tanto é que, dos alunos matriculados da Fumec, 68% são mulheres e 32% são homens. Então a gente percebe que as mulheres estão mais propensas a retornar, mas os homens enfrentam barreiras de rejeição, porque acaba sendo uma pessoa que fica fora de todo o contexto social, que ela se torna uma pessoa dependente para tomar um ônibus, ir à Igreja para conviver com os pares”, avalia.

São muitas camadas por trás da decisão de adiar o aprendizado da leitura e da escrita. Muitas vezes, as inseguranças e a falta de autoestima explicam esse atraso na busca pela aprendizagem, e que vai enfraquecendo a árvore ao longo da vida. 

Mas a Maria Raquel Marilano garante ter encontrado o antídoto perfeito para isso. A professora de EJA Ensino Fundamental I na Fumec conta que o percurso de ensino começa pelo bem mais valioso de cada um de nós: o próprio nome. 

“Pelas letras do nome do aluno, introduzimos textos também. Tem que ter contato com textos diversos, gêneros literários. Trabalhamos bastante a oralidade também com eles, para que eles se expressem oralmente. Para quem é da Educação, para quem gosta e para quem sempre trabalhou e escolheu a profissão, é apaixonante. É uma coisa assim muito gratificante”, comemora a docente.

Se o analfabetismo é silencioso e, às vezes, passa despercebido na rotina da metrópole de 1,2 milhão de habitantes, a determinação em resolver o problema não é. 

Como parte do mês temático “Fevereiro Violeta”, contra o analfabetismo, a Fumec inicia mais uma campanha de “Busca Ativa”

O objetivo é garantir que nenhuma árvore passe despercebida, e tenha a chance de crescer ainda mais, como explica a orientadora pedagógica da EJA – Anos Iniciais na Fumec, Adriana Molinari

“É um evento muito importante que é realizado anualmente. A barreira geralmente vem das questões familiares. Temos um número muito grande de idosos que, normalmente, têm problemas de saúde. Eles têm problemas familiares, necessidade de cuidar dos netos, de cuidar da casa. E muitas barreiras sociais: ainda têm muita vergonha de dizer que não sabem aprender a ler e a escrever e imaginam, muitas vezes, a escola como algo muito distante deles. Tanto que, quando eles vêm, eles não querem mais ir embora”, brinca.

Ao som do passarinho da música “No Dia Em Que Eu Saí de Casa”, de Zezé di Camargo e Luciano, a gente vê o resultado de tanta dedicação. Um coral dos alunos e dos concluintes, com o sorriso no rosto de quem aprendeu a ler, hoje está cantando e está pronto para espalhar coisas novas pelo mundo. 

“Eu estou me sentindo muito bem! Adoro! Sinto muita falta quando não venho. E eu estou aprendendo. Se Deus quiser, eu quero aprender a ler bem mesmo, porque eu quero trabalhar”, projeta a estudante Ana Rocha.

As turmas de alfabetização da Fumec recebem inscrições o ano todo. Outras informações sobre os endereços das classes disponíveis no www.fumec.sp.gov.br

E que essa sinfonia que traz esperança o dia em que o analfabetismo deixe de ser barreira para qualquer crescimento de árvore ou voo mais alto… 

Conteúdos