A falta de coletores de lixo volta a afetar o serviço de coleta seletiva em alguns bairros de Campinas.
Moradores do Jardim Santa Genebra e da Vila Costa e Silva voltaram a relatar problemas com o serviço de coleta de lixo nesta quinta-feira (19).
A reportagem da CBN Campinas circulou por algumas ruas dos dois bairros e constatou a grande quantidade de sacos empilhados nas lixeiras e nas calçadas, tanto de materiais orgânicos como de recicláveis.
Em alguns locais, o problema acontece há quatro dias, como é o caso de uma padaria, onde os funcionários estão “estocando” o lixo dia após dia, para evitar a contaminação por insetos.
Ainda assim, na tarde desta quinta-feira (19), o lixo na calçada exposto ao Sol atraía um grande número de moscas e um cheiro forte por toda a rua.
“Esses dias um cliente estava reclamando sobre o cheiro de lixo por conta do acúmulo, aonde a gente mantém todos os resíduos da padaria. Isso atrapalha tanto a nossa clientela, como é desagradável um cliente entrar na minha padaria e ver todos esses sacos de lixo pra fora. Além do que, não é ideal eu ficar passando pras minhas funcionárias colocarem lixo para dentro e tirar para fora, ficar fazendo essa manipulação o dia inteiro”, lamenta o comerciante.
Problema recorrente
Esta é a segunda vez em fevereiro que os moradores da região do Santa Genebra reclamam dos problemas com a coleta de lixo.
No dia 10, a empresa Campi Ambiental respondeu aos moradores e informou a falta de 25 coletores no período noturno, número extrapolou a reserva técnica operacional da companhia.
Na época, a companhia disse que alguns funcionários estavam afastados por razões médicas, além de não terem conseguido chegar para trabalhar em razão das fortes chuvas. O problema foi resolvido no início da noite do dia 10 de fevereiro.
Nesta semana, por meio do sistema 156, da Prefeitura, moradores da região do Santa Genebra relatam ter recebido retorno da Coordenadoria de Limpeza Urbana (C.L.U.), que informou que algumas falhas operacionais causaram o atraso do serviço.
A C.L.U. informou ter notificado formalmente a companhia a retomar e normalizar imediatamente todas as atividades de coleta no município, a fim de evitar novos transtornos à população.
Outro morador, que não quis se identificar, relatou à CBN que o acúmulo de lixo causa o aparecimento frequente de ratos no entorno da casa. Ele também cobra que os coletores tenham um salário melhor, pela importância do salário que fazem pela cidade.
“Em frente à minha casa tem um bueiro, e os ratos fazem buraco e saem para fora à noite para poder comer as coisas. Não tem funcionário? Paga melhor para esse povo trabalhar, coitados. Fica dando uma miséria”, criticou.
Falta mão de obra
Nós procuramos a Prefeitura de Campinas, que relatou estar enfrentando novos problemas com a falta de mão de obra.
A Administração está em contato com a empresa responsável e disse ter iniciado uma parceria com o CPAT (Centro Público de Apoio ao Trabalhador) para tentar contratar novos funcionários.
São 50 vagas para coletor de lixo anunciadas, mas que têm tido dificuldade para serem preenchidas.
O salário é de R$ 2.208,00, com adicional de insalubridade de R$ 648,00, vale-alimentação de R$ 1.193,97 e vale-transporte.
As vagas devem ser preenchidas até o dia 25 de fevereiro. Os interessados precisam buscar uma unidade do CPAT com RG, CPF e carteira de trabalho para formalizar a candidatura.
Outras informações sobre os endereços dos postos fixos e os horários de funcionamento podem ser obtidas no site do CPAT pela internet.
Posição da Campi Ambiental
Em nota, a empresa Campi Ambiental, responsável pela coleta de lixo em Campinas, afirma que a coleta de resíduos tem sido realizada em toda a cidade e que, em casos pontuais de atraso, os trabalhos são concluídos no mesmo turno ou até o dia seguinte.
A companhia também afirma que, assim como outros setores da economia de Campinas e de outros municípios, enfrenta turnover de profissionais.
A Campi Ambiental diz atuar com duas empresas de recrutamento e de seleção, e que divulga suas vagas com publicidade nas redes sociais, além de possuir parceria com o CPAT de Campinas.