Em entrevista ao CBN Campinas nesta sexta-feira (6), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, negou que a tarifa de água vá aumentar para o consumidor final, nas cidades que forem atendidas pelo Sistema Adutor Regional.
Recentemente, o governo apresentou uma proposta de Parceria Público-Privada para a construção e operação de três ramais de tubulações para a distribuição da água das barragens de Pedreira e Duas Pontes, em Amparo.
Tarcísio de Freitas afirmou que a outorga atual dos municípios não será modificada, a menos que eles tenham interesse em contratar mais água.
O governador ressaltou que as cidades vão receber incentivos para combater perdas na distribuição.
“Para os municípios que não estão no [programa] Universaliza, que têm seu serviço próprio de saneamento, e vários deles têm serviços muito bem estruturados, a gente diz: ‘Olha, se você utilizar a outorga que você já tem, você não vai pagar nada a mais por isso’. Se você precisar de uma demanda adicional por algum motivo, seja pelo aumento de consumo, seja por não ter conseguido trabalhar a questão das perdas, é razoável que o município, então, arque com o custo daquela demanda, daquela vazão adicional que vai ser fornecida para ele. E caberá ao município tratar isso também, porque o nosso objetivo é que isso jamais seja repassado para o usuário”, declarou.
O governador de São Paulo também foi questionado sobre as filas nos hospitais da região de Campinas, especialmente os universitários.
Tarcísio de Freitas declarou que o governo tem buscado aumentar a oferta de leitos em cidades do entorno, para aliviar a pressão sobre as instituições da região, e citou como exemplo a chamada “Tabela SUS Paulista” e o projeto do Hospital Metropolitano de Campinas.
“Então a gente precisa fazer, por exemplo, uma contenção no Circuito das Águas onde muitos pacientes vêm para a Região Metropolitana de Campinas. Então lá, nós estamos disponibilizando oferta. A gente vai entrar agora com uma questão que é a da Tabela SUS Paulista para os hospitais municipais, porque a gente percebe que alguns deles operam abaixo da capacidade, isso por uma questão de custeio. Então quando eu remunero mais os serviços e remunero por produção, eu crio um incentivo: quem produz mais, recebe mais. Eu vou ter um parâmetro de remuneração que é três, quatro, cinco vezes aquilo que o SUS remunera. Eu vou conseguir ampliar a oferta de Saúde nos hospitais municipais, o que vai tirar pressão do HC. E, obviamente, eu acho que a grande medida é a construção de mais uma unidade de grande porte que vai ser o Hospital da Região Metropolitana de Campinas, com 400 leitos”, afirmou.
Tarcísio também comentou o anúncio do programa de incentivos à ocupação de terrenos no entorno das ferrovias, como o Trem Intercidades Campinas-São Paulo.
A iniciativa que vem sendo chamada de “novas centralidades” deve construir 23 mil moradias em 14 polos de desenvolvimento regional no curso da ferrovia.
O governador afirmou que o projeto vai evitar problemas como a pressão do setor imobiliário e o desenvolvimento desordenado e gerador de problemas em áreas como saneamento básico e planejamento viário.
“Resolveu-se pensar num projeto de centralidades, onde a gente vai ter os polos geradores de viagem e como é que a gente pode conciliar desenvolvimento urbano com a provisão de habitação. Como é que a gente traz as pessoas para morar mais perto da ferrovia mas de uma forma sustentável. Então esse projeto está sendo desenvolvido de forma integrada para que a gente tenha compatibilidade com o sistema de saneamento, de transportes. Para que a gente não prejudique, por exemplo, a questão da impermeabilização do solo, não pressione o viário local, e a gente estimule as pessoas a usarem, de fato, a ferrovia”, pontuou.
Sobre o futuro político, Tarcísio de Freitas afirmou que vai disputar a reeleição no estado de São Paulo, e que tem compromisso em ver projetos de médio prazo se concretizando em um eventual segundo mandato.
“Tem muito acerto, tem muita entrega, tem muita realização, tem muita coisa que a gente fala e quer corrigir. Tem projetos muito importantes que, de fato, estruturam um legado e a gente tem interesse em ver estes projetos nascendo. Isso faz parte da construção de um legado e de um compromisso de longo prazo. Por isso, desde sempre, eu digo que meu compromisso com São Paulo é com um projeto de longo prazo, que deixe legado. Então a gente nunca teve essa ansiedade e eu sempre disse: eu vou ficar em São Paulo, eu não vou me lançar a uma candidatura presidencial, e nada mudou”, disse o governador.