Temporais cada vez mais intensos e frequentes têm provocado estragos em cidades da região e deixado moradores com dúvidas sobre quem deve arcar com prejuízos causados por enchentes, quedas de árvores ou ventos fortes.
Em episódios recentes registrados em Campinas e Paulínia, houve alagamentos, destelhamentos, interrupção de eventos, queda de postes e danos a veículos e imóveis. Em Campinas, um dos casos mais marcantes envolveu o estacionamento do kartódromo da Lagoa do Taquaral, onde dezenas de carros ficaram submersos após chuva intensa e rápida elevação do nível da água.
Já em Paulínia, ventos fortes chegaram a destelhar casas e derrubar estruturas durante evento realizado no Parque Brasil 500, evidenciando a vulnerabilidade de áreas urbanas a fenômenos climáticos extremos.
De acordo com o advogado Eli Maciel, a responsabilidade pelos prejuízos não é automática e depende da análise de cada situação. Eventos considerados caso fortuito ou força maior, como temporais imprevisíveis, normalmente não geram obrigação direta de indenização por parte do poder público.
Por outro lado, quando há indícios de negligência, como falta de manutenção urbana, problemas recorrentes de drenagem ou riscos já identificados e não solucionados, pode haver possibilidade de responsabilização do município.
Especialistas recomendam que vítimas de prejuízos documentem os danos com fotos, vídeos, boletim de ocorrência e registros técnicos sempre que possível. Essas provas são fundamentais tanto para acionar seguros quanto para eventual pedido de indenização judicial.
A orientação também é verificar previamente a cobertura de seguros residenciais e automotivos, já que muitas apólices incluem proteção contra eventos climáticos. Em vários casos, a seguradora indeniza o cliente e depois busca ressarcimento junto ao responsável, se houver comprovação de omissão ou falha estrutural.
Com a intensificação dos eventos climáticos, autoridades e especialistas reforçam a importância de prevenção, planejamento urbano e informação para reduzir riscos e orientar a população diante de possíveis prejuízos.