O ano de 2026 começou com aumento no custo da Cesta Básica em Campinas. Em janeiro, o conjunto de produtos essenciais registrou alta de 0,98%, elevando o valor total para R$ 790,47. O reajuste pressiona o orçamento das famílias logo no início do ano, período tradicionalmente marcado por despesas extras.
O principal responsável pela elevação foi o tomate, que apresentou aumento expressivo de 30,25% no mês. Manteiga e arroz também contribuíram para o encarecimento da cesta. Por outro lado, alguns itens ajudaram a conter uma alta ainda maior: carne, batata e banana registraram queda de preços no período.
Segundo análise do economista Pedro Costa, do Observatório da PUC-Campinas, o tomate é um produto com forte oscilação de preços, influenciado principalmente por fatores sazonais, como safra e oferta. A expectativa é de que possa haver alguma compensação nos próximos meses, já que se trata de um item que costuma variar de semana a semana.
No caso do arroz, após um período de queda ao longo de 2025, o produto pode ter atingido um limite de redução. A avaliação é de que preços muito baixos desestimulam a produção, o que pode levar a reajustes ao longo de 2026, ainda que não sejam esperadas altas abruptas.
No cenário nacional, a maioria das capitais brasileiras também registrou aumento no valor da cesta básica em janeiro, de acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese. Apenas Natal, Teresina e São Luís apresentaram variação negativa no período. Entre as cidades do Sudeste, Campinas teve a menor variação, com índice próximo ao de São Paulo, que ficou em 1%.
Apesar da alta registrada no mês, o reajuste do salário mínimo trouxe um alívio momentâneo para quem recebe o piso nacional. Como o aumento concedido em janeiro foi superior à inflação de alimentos acumulada em 2025, o trabalhador iniciou o ano com poder de compra maior em relação à cesta básica na comparação com o começo do ano passado. No entanto, como o salário permanece fixo ao longo do ano e os preços podem continuar variando, esse ganho pode ser reduzido nos próximos meses.
A perspectiva para 2026, de forma geral, é de inflação de alimentos mais elevada do que a observada em 2025. Itens com maior peso na composição da cesta, como carne, pão e tomate, devem exigir atenção. No caso da carne, uma eventual redução de oferta pode pressionar os preços, impactando diretamente o valor final da cesta, já que o produto representa parcela significativa do total.
Por outro lado, fatores como a valorização do real frente ao dólar no início do ano podem contribuir para reduzir custos de alguns produtos, ajudando a amenizar parte das pressões.
Com a cesta básica já próxima dos R$ 800 no primeiro mês de 2026, a orientação para o consumidor é manter a pesquisa de preços e aproveitar as oscilações, especialmente nos hortifrutis, para tentar equilibrar o orçamento ao longo do ano.