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Acolhimento e rede de apoio encorajam denúncias de violência doméstica

Levantamento com dados estaduais mostra que mais da metade das vítimas adiam registro das ocorrências
Acolhimento e rede de apoio encorajam denúncias de violência doméstica
Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Eles se relacionavam há oito meses. Aos dois, a primeira agressão assustou e acendeu um sinal de alerta. 

Apesar de ter sido aconselhada a registrar queixa, esta mulher que não vai ser identificada por razões de segurança diz que sentiu medo das ameaças feitas pelo ex-companheiro. 

Seis meses depois, ela decidiu por fim ao relacionamento e passou a ser perseguida e agredida pelo ex-companheiro. O episódio mais grave envolveu até mesmo a mãe da vítima. 

Casos como este se multiplicam pela região, ainda sob a sombra das estatísticas. 

Encorajar a vítima a realizar a denúncia ainda é um dos maiores desafios para que nós saibamos qual a real dimensão dos casos de violência doméstica. 

Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, obtidos pelo Grupo EP via Lei de Acesso à Informação, mostram que entre 2021 e 2025, apenas 49% das mulheres registraram boletins de ocorrência no mesmo dia da agressão. 

Outros 25,2% das vítimas procuraram as delegacias no dia seguinte, e 15,7% entre dois e sete dias depois dos ataques. 

O registro é importante, mas o tempo também acaba sendo inimigo para que os agressores sejam localizados, presos e responsabilizados pelos crimes. 

A advogada especialista em Direitos das Mulheres, Jaqueline Gachet, avalia que um dos gargalos ainda está no acolhimento às vítimas de violência e na validação dos relatos. 

De fato, as Delegacias de Defesa da Mulher são a porta de entrada para o início de qualquer processo de investigação de uma agressão contra a mulher. 

Em Campinas, um dos locais é a unidade localizada na Avenida Antônio Carlos Sales Júnior, no Jardim Proença, onde a delegada-titular Ana Carolina Bacchi, orienta que a vítima tem direito a diversos mecanismos para protegê-la do agressor. 

Mas e depois da agressão? Os serviços referenciados também são caminhos para oferecer um apoio especializado às vítimas. 

Em Campinas, esse encaminhamento é assumido pelo CEAMO (Centro de Referência e Apoio à Mulher), na Rua Onze de Agosto, como explica a coordenadora da unidade, Grasiela Bispo. 

Sobre o caso que você ouviu no início da reportagem, a CBN Campinas apurou que a vítima registrou a ocorrência contra o agressor e passou pela perícia policial, duas etapas indispensáveis para entrar com pedido de medida protetiva. 

A garantia pode incluir a proibição de aproximação e de contato entre agressor e vítima, bem como o encaminhamento para iniciativas de proteção, como casas-abrigo ou programas de proteção. 

Hoje, ela optou por morar, temporariamente na casa da patroa para garantir o distanciamento do ex-companheiro. 

Além da Delegacia de Defesa da Mulher do Jardim Proença, outra unidade à disposição para registrar um boletim de ocorrência em Campinas é a 2ª DDM, junto com a Delegacia Seccional no Jardim Londres. 

O serviço de orientação pode ser feito por telefone, pelo Disque 180. Casos de agressão também podem ser comunicados, à todo tempo, pelo telefone 153 da Guarda Municipal e pelo 190, da Polícia Militar. 

Pela PM ou pela GM, o procedimento padrão inclui o deslocamento de uma viatura até o endereço, a orientação das vítimas para o registro da ocorrência e, eventualmente, a autuação do agressor em flagrante. 

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