O material biológico furtado do Laboratório de Virologia da Universidade Estadual de Campinas percorreu cerca de 350 metros dentro do campus até ser localizado, 40 dias depois, em outros laboratórios da instituição. O trajeto foi entre o Instituto de Biologia e a Faculdade de Engenharia de Alimentos. As amostras levadas – incluindo vírus H1N1 e H3N2, responsáveis pela gripe tipo A – foram transportadas sem autorização.
Uma pesquisadora foi presa e responderá em liberdade por furto, por colocar a saúde pública em risco e pelo transporte irregular de material geneticamente modificado. Segundo a Polícia Federal, o marido dela também é investigado. Ele é médico-veterinário e doutorando em Genética e Biologia Molecular na universidade. As suspeitas envolvendo o homem não foram detalhadas.
De acordo com apuração do portal g1 Campinas, além dos subtipos de Influenza, havia outros vírus – humanos e suínos – entre os materiais levados. Todas as amostras foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que mantém sob sigilo as informações sobre os tipos virais envolvidos.
A Polícia Federal informou que não houve contaminação externa e garantiu que os vírus permaneceram restritos ao ambiente da universidade.
A distância entre o prédio do Laboratório de Virologia, no Instituto de Biologia, e os laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos – onde foram cumpridos mandados de busca da PF – pode ser percorrida em cerca de quatro minutos a pé.
O Laboratório de Virologia da Unicamp é classificado como nível 3 de biossegurança (NB-3), o mais alto permitido atualmente no Brasil para estudos com agentes infecciosos, exigindo protocolos rigorosos de segurança.
A investigação teve início após uma pesquisadora autorizada perceber, na manhã de 13 de fevereiro de 2026, o desaparecimento de caixas com amostras virais. Após 40 dias, em 23 de março, a Polícia Federal realizou buscas nos laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos.
- Com apuração do g1 Campinas