O Governo de São Paulo anunciou um pacote de medidas para tentar reduzir a pressão sobre a rede hospitalar de Campinas, que enfrenta superlotação nas últimas semanas. As ações incluem a contratação de procedimentos na rede privada e a construção de um novo hospital estadual na cidade.
Segundo o secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, a primeira medida deve ocorrer já nas próximas semanas, com a abertura de um chamamento público para ampliar o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região.
A proposta prevê a contratação de cerca de 2.700 procedimentos mensais, com investimento de aproximadamente R$ 4,2 milhões por mês do Tesouro estadual.
Entre os serviços previstos estão exames como colonoscopia, endoscopia, tomografia e ressonância, além de cirurgias de média complexidade e vagas em unidades de terapia intensiva (UTI).
De acordo com o secretário, o objetivo é ampliar a oferta de atendimentos e reduzir a pressão sobre os hospitais públicos da região.
“Num prazo máximo de 15 dias, estaria sendo novamente aberta uma licitação esperando que existissem pessoas interessadas e nós pudéssemos aumentar a oferta pelo Sistema Único de Saúde de atendimento na região de Campinas”, afirmou.
Ainda segundo Eleuses Paiva, a estratégia do Estado é contratar procedimentos específicos que hoje apresentam maior demanda na rede pública.
“A discussão não é a compra de leitos. A discussão são a compra de 2.700 procedimentos cirúrgicos, clínicos, de unidade de terapia intensiva, procedimentos também da parte diagnóstica que possam desafogar a pressão que a gente tem na rede de Campinas”, explicou.
Novo hospital estadual
Além das medidas emergenciais, o governo estadual também pretende investir em uma solução estrutural para a região: a construção de um novo hospital estadual em Campinas.
A unidade deve ter entre 380 e 400 leitos e atender pacientes de toda a Região Metropolitana de Campinas.
Segundo o secretário, a documentação do terreno doado pela Prefeitura foi recebida recentemente pelo Estado, o que permite o avanço do projeto.
“Exatamente há 24 horas atrás nós recebemos documentação desse terreno e o governador Tarcísio já apropriou esse terreno passando a pertencer ao Estado”, disse.
A expectativa do governo é abrir a licitação para construção do hospital em até 30 dias.
Possibilidade de transferência de pacientes
Enquanto as novas medidas não entram em operação, o Estado afirma que também pode apoiar o município com a transferência de pacientes para outras regiões, caso a rede local não consiga absorver a demanda.
“Se o município não conseguir suprir as suas demandas locais e ele entrar em contato com o Estado, nós vamos ter que deslocar os pacientes da região de Campinas para outras localidades”, afirmou o secretário.
Pressão na rede hospitalar
O anúncio ocorre em meio ao cenário de superlotação em hospitais de referência de Campinas, que atendem pacientes de toda a região. Com a demanda acima da capacidade, usuários do sistema de saúde enfrentam longas filas e tempo elevado de espera por atendimento.
A expectativa do governo estadual é que a ampliação da oferta de procedimentos comece nas próximas semanas, enquanto a construção do novo hospital representa uma solução de médio e longo prazo para a rede de saúde da região.
A Rede Mário Gatti informou que nenhum paciente que precisa de internação fica sem assistência. Segundo a administração, a ocupação dos hospitais Mário Gatti e Ouro Verde varia entre 95% e 100%, com atendimento em sistema de “porta aberta” e acompanhamento permanente da Central de Regulação para transferências entre unidades.
A Prefeitura destacou ainda que Campinas é referência regional em urgência e emergência, recebendo entre 20% e 25% de pacientes de outras cidades. Atualmente, o município conta com mais de mil leitos, número superior aos 885 existentes em 2021, e afirma que mantém investimentos acima do mínimo constitucional na área da saúde.
Já o Hospital PUC-Campinas informou que o pronto-socorro do SUS opera com 330% de ocupação, com 40 pacientes em macas nos corredores. Diante da superlotação, a unidade suspendeu cirurgias eletivas por tempo indeterminado e informou que não tem condições de receber novos casos encaminhados pelo SUS no momento.