Um impasse envolvendo o sistema de estacionamento rotativo, a Área Azul de Americana (SP), virou uma disputa judicial entre a Prefeitura e a concessionária Estapar e já provoca reflexos no comércio da região central. Motoristas também relatam possíveis cobranças abusivas.
A empresa é responsável pela operação desde 2018, e o contrato segue válido até 2028. O conflito começou após denúncias de irregularidades na fiscalização das vagas.
A principal suspeita é o uso de um veículo equipado com câmeras para monitorar carros estacionados, prática que, segundo o contrato, não é permitida. Um vídeo que viralizou nas redes sociais em junho de 2025 mostra um Volkswagen Polo com esse tipo de equipamento circulando pelo Centro. Ao perceber que estava sendo filmado, o motorista do carro deixa o local.
A repercussão levou a Prefeitura a criar uma comissão para investigar o caso. O grupo, formado por representantes do Executivo e do Legislativo, concluiu que o veículo vinha sendo utilizado para fiscalizar automóveis sem pagamento da tarifa.
De acordo com o chefe de gabinete e integrante da comissão, Franco Sardelli, havia indícios de inconsistências nos registros do sistema da empresa, incluindo dados incompletos e menções a fiscalizações por videomonitoramento.
O resultado da apuração também foi reforçado por um relatório da Guarda Municipal de Americana, que aponta trajetos do carro em horários e locais compatíveis com a aplicação das chamadas Taxas de Pós-Utilização, cobradas de motoristas que não teriam regularizado o estacionamento.
Diante disso, em dezembro de 2025, a Prefeitura anunciou a suspensão do contrato com a concessionária e ingressou na Justiça com um pedido de produção antecipada de provas. A intenção é que perícias técnicas sejam realizadas em equipamentos e sistemas da empresa para confirmar as suspeitas e embasar uma eventual rescisão unilateral.
Liminar mantém serviço
Em janeiro deste ano, no entanto, a Estapar conseguiu uma liminar na Justiça que suspendeu os efeitos da decisão da Prefeitura e garantiu a continuidade da operação da Área Azul.
Desde então, o município tenta reverter a decisão judicial. O Ministério Público do Estado de São Paulo já se manifestou favoravelmente à interrupção do contrato até o julgamento do mérito da ação.
O caso segue em análise no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que solicitou um novo posicionamento da Procuradoria-Geral de Justiça antes de decidir sobre a manutenção ou não da liminar.
Queixas de motoristas e impacto no comércio
Enquanto o impasse não é resolvido, motoristas relatam cobranças consideradas indevidas. Uma das principais reclamações é a aplicação de notificações sem o respeito ao tempo de tolerância.
Em nota, a Estapar afirma que o usuário tem prazo de 10 minutos, após estacionar, para registrar e pagar a tarifa. Segundo a empresa, o procedimento pode ser feito por aplicativo, parquímetros, agentes de rua, comércios credenciados ou pela central de atendimento.
“A empresa reforça, no entanto, que a forma mais rápida é o uso do aplicativo Zul+. Nele, o usuário ativa a vaga diretamente do celular, com opções de pagamento como cartão de crédito, débito, Pix, Google Pay e Apple Pay”, completou.
Além das queixas dos usuários, comerciantes da região central relatam queda no fluxo de clientes e apontam um esvaziamento do Centro da cidade desde o início da crise.
Sem uma definição judicial até o momento, o funcionamento da Área Azul em Americana segue cercado de incertezas.