A Polícia Federal afirma que o grupo criminoso que foi alvo da Operação Dry Fall, nesta quarta-feira (18), atuava como uma célula do Comando Vermelho (CV) no interior paulista.
A ofensiva desta quarta (18) mobilizou 370 policiais e cumpriu 35 mandados de busca e apreensão e 37 mandados de prisão temporária.
A operação foi batizada de “Dry Fall”, termo em inglês que faz referência ao tipo de droga comercializada pela organização, o “dry”, um haxixe de alto teor de THC, derivado da maconha; e “fall”, a expressão que significa “queda”, pela derrubada do esquema criminoso.
Segundo a Polícia Federal, o grupo atuava, além do interior de São Paulo, nos estados do Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Atuação interestadual
Para fazer a desarticulação, a Polícia Federal e a Polícia Militar compuseram uma FICO (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado).
O objetivo da operação foi prender lideranças do crime organizado, reunir novas provas e enfraquecer o grupo investigado. O líder da quadrilha, conhecido como “Piti”, foi preso em Mogi Mirim, como explicou o comandante do CPI-9 (Comando de Policiamento do Interior 9), o coronel Cleoteus Sabino.
O coronel enfatizou que um dos efeitos da atuação da célula desmanchada hoje foi a “disputa de territórios” entre facções na região de Rio Claro, entre 2022 e 2024.
Entorpecente de alto teor
Segundo a investigação, o grupo movimentava grandes carregamentos de haxixe de alto teor de THC e mantinha um esquema estruturado de tráfico de armas, com logística entre estados. Haxixe com alto teor de THC é uma forma concentrada da maconha.
O THC é a substância que causa efeito psicoativo. Quando o teor é mais alto, o efeito é mais forte e dura mais tempo.
Esse tipo de produto costuma ser feito com partes da planta que têm maior concentração de resina, o que aumenta a potência e o valor no mercado ilegal. O quilo do “dry” pode chegar a R$ 50 mil.
O dinheiro obtido com os crimes passou por 20 empresas de fachada usadas para lavagem de dinheiro.
Combate ao crime organizado
O delegado-chefe da Polícia Federal de Campinas, André Ribeiro, afirma que a FICO formaliza e fortalece a atuação conjunta na repressão ao crime organizado.
Estrutura profissional
Na região de Campinas foram 12 mandados de prisão temporária. Quatro foram presos em flagrante com haxixe, sendo que um deles estava com um carro-cofre com sistema avançado de abertura do compartimento.
Em Araras foram sete ordens de busca e sete de prisão. Rio Claro teve quatro mandados de busca e dois de prisão. Em Santo André, foram três buscas e uma prisão, enquanto São Paulo teve três mandados de busca e três de prisão.
Também houve ações com busca e prisão em Santa Bárbara d’Oeste, Hortolândia, Mogi Mirim, Nova Odessa, Iperó, Bragança Paulista, Socorro, Sumaré e São Bernardo do Campo. Em Americana, houve um mandado de prisão. Limeira teve dois mandados de busca.
Bloqueio de bens
A Justiça determinou o bloqueio de cerca de 150 contas bancárias, com valor que pode chegar a R$ 70 milhões, além da suspensão das atividades de 20 empresas suspeitas de participar do esquema de lavagem.
Em nota, a PF informou que todos os materiais apreendidos foram encaminhados para os procedimentos legais e permanecem à disposição das autoridades competentes para investigação e demais providências. Declarou, também, que a operação reforça o compromisso da Polícia com a segurança, a prevenção e o enfrentamento às organizações criminosas.
Reportagem atualizada em 18.mar.2026 às 18h00 para a inclusão da nota da PF sobre os encaminhamentos dos itens recolhidos na operação.