A Rede Municipal Dr. Mário Gatti confirmou mais dois casos de infecção pela bactéria multirresistente KPC em pacientes internados na UTI adulto do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas. Com isso, subiu para nove o número total de pacientes com a bactéria na unidade.
De acordo com a rede hospitalar, os dois novos casos são de pacientes que estão internados há mais de sete dias na UTI, portanto antes da implantação do plano de contingência criado para tentar interromper a transmissão da bactéria dentro da unidade.
Os resultados dos exames que confirmaram as infecções saíram antes que os pacientes fossem transferidos para uma ala de UTI contingencial, criada dentro do hospital apenas para pacientes sem a bactéria.
Segundo a Rede Mário Gatti, não foram registrados óbitos relacionados à KPC até o momento.
UTI está temporariamente sem novos pacientes
Como medida preventiva e para garantir maior controle epidemiológico, a UTI adulto do hospital não recebe novos pacientes desde a última terça-feira, 10 de março. A previsão da rede municipal é que o atendimento da ala seja normalizado em um prazo entre 20 e 30 dias.
Os nove pacientes infectados estão isolados em um dos salões da UTI, com equipe exclusiva de atendimento. Já os demais pacientes da unidade foram transferidos para leitos de mesma complexidade em uma UTI contingencial criada dentro do próprio hospital.
Também houve reforço das medidas de limpeza e desinfecção no local.
Pacientes que necessitarem de leitos de terapia intensiva neste período serão encaminhados para o Hospital Ouro Verde ou para outras unidades por meio da Central de Regulação Municipal. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já foi orientado a não encaminhar pacientes com necessidade de UTI para o Mário Gatti temporariamente.
Bactéria é típica de ambiente hospitalar
O infectologista da rede municipal, Plínio Trabasso, explica que a KPC é uma bactéria associada a ambientes hospitalares e que se torna resistente por causa do uso prolongado de antibióticos ao longo do tempo.
Segundo ele, as infecções mais comuns associadas à bactéria são as de corrente sanguínea, conhecidas como sepse, além de pneumonia, infecções respiratórias e urinárias.
Apesar da situação exigir atenção, o especialista afirma que não há motivo para pânico e reforça a importância de medidas de higiene.
“Essas bactérias elas são consequência da utilização de antibióticos no ambiente hospitalar ao longo dos anos então elas vão se tornando resistentes aos antibióticos que a gente vai utilizando e por isso elas são mais prevalentes nesse próprio ambiente. É muito importante fazer o controle da disseminação inclusive porque o tratamento é dificultado que são antibióticos de uso restrito”, explicou.
A coordenadora de informações da Rede Mário Gatti, Andrea Von Zuben, destacou que o hospital segue funcionando normalmente para atendimentos e que não há risco para quem procura a unidade para consultas ou procedimentos ambulatoriais.
“A primeira coisa, essa super bactéria, ela é uma bactéria de ambiente hospitalar, então não tem risco para quem está vindo para o Mario Gatti para um procedimento, um curativo para o ambulatório. Outra coisa, a gente não está fechando pronto socorro, não está fechando emergência. As pessoas podem vir ao Mario Gatti, elas estão seguras ao vir ao Mario Gatti”, afirmou.
A Rede Municipal Dr. Mário Gatti informou que a situação continua sendo monitorada pelas equipes técnicas e pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, e que as medidas adotadas serão mantidas até a completa estabilização do cenário assistencial.gulação de Vagas.
A KPC faz parte de um grupo de bactérias resistentes a antibióticos, por isso é conhecida como superbactéria. O surgimento desse tipo de micro-organismo está associado ao uso prolongado de antibióticos potentes no ambiente hospitalar.
A bactéria atinge com mais frequência pacientes hospitalizados com a imunidade debilitada, especialmente em UTIs. A transmissão pode ocorrer pelo contato com fluidos de pessoas infectadas ou por equipamentos hospitalares, como ventiladores mecânicos, cateteres e sondas.
Falhas nos processos de higiene e desinfecção podem favorecer a chamada transmissão cruzada entre pacientes. Casos fora do ambiente hospitalar são considerados raros.