A proximidade da Páscoa tem evidenciado uma mudança no comportamento do consumidor em Campinas: o crescimento da procura por chocolates veganos, que deixam de ser um nicho específico e passam a disputar espaço com os produtos tradicionais.
Confeiteiras da cidade relatam que essa transição tem se intensificado nos últimos anos, impulsionada tanto pela maior oferta de ingredientes quanto pela diversificação do público. A confeiteira Lara Rosa explica que o mercado evoluiu e hoje permite uma produção mais acessível.
Segundo ela, encontrar insumos sem origem animal já não é mais um obstáculo, o que facilita a ampliação do cardápio e o atendimento da demanda crescente. Apesar disso, a produção ainda exige mais técnica e atenção do que a confeitaria convencional.
Isso acontece porque ingredientes de origem animal possuem características químicas específicas que precisam ser substituídas por alternativas vegetais, exigindo adaptações no modo de preparo. Em alguns casos, inclusive, o sabor pode apresentar pequenas diferenças, como um leve residual de coco, dependendo da composição utilizada.
Outra mudança importante está na estrutura dos produtos. A confeiteira Vitória Lima explica que, no caso do chocolate em si, a diferença de sabor e textura é cada vez menor, especialmente quando se trabalha com matéria-prima de qualidade. O processo de temperagem, por exemplo, segue praticamente o mesmo padrão da confeitaria tradicional.
A principal distinção aparece nos recheios. Em vez de ingredientes como leite condensado e creme de leite, as receitas passam a utilizar bases vegetais. Entre as alternativas mais comuns está a castanha de caju, que garante cremosidade, sabor e textura semelhantes às versões tradicionais.
Apesar de serem conhecidos como “veganos”, esses produtos atendem um público muito mais amplo. De acordo com as confeiteiras, grande parte dos clientes não segue necessariamente o veganismo, mas busca alternativas por questões de saúde ou restrições alimentares.
Entre os principais perfis estão pessoas com intolerância à lactose, alergia à proteína do leite e consumidores que evitam ovos ou outros ingredientes de origem animal. Há ainda casos de clientes que procuram opções sem glúten, embora a produção artesanal nem sempre consiga garantir ausência total de contaminação cruzada.
Esse cenário tem impacto direto nas vendas. Lara Rosa afirma que, na Páscoa de 2025, os produtos veganos representaram cerca de 40% do total comercializado em seu ateliê. Atualmente, esses itens já correspondem a aproximadamente 30% da produção no dia a dia, com expectativa de crescimento para este ano.
A confeiteira Vitória Lima também observa aumento na demanda, especialmente conforme a Páscoa se aproxima, período em que cresce a busca por presentes e opções inclusivas, capazes de atender diferentes restrições alimentares.
O movimento é acompanhado pelo poder público. A secretária de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação de Campinas, Adriana Flosi, destaca que a Páscoa é uma das datas mais importantes para o setor de alimentação e confeitaria, e que os empreendedores têm se adaptado rapidamente às novas exigências do consumidor.
Segundo ela, o interesse por produtos como o chocolate vegano demonstra uma mudança clara no perfil de consumo, com maior valorização de opções alternativas e inclusivas.
A tendência, de acordo com profissionais do setor, é de expansão contínua. O aumento de diagnósticos de intolerâncias alimentares, aliado à busca por uma alimentação mais consciente, deve impulsionar ainda mais esse mercado, que já deixou de ser considerado um nicho e caminha para se consolidar como uma das principais apostas da confeitaria nos próximos anos.