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Consórcio PCJ apresenta plano regional para enfrentar mudanças climáticas e escassez de água

O Consórcio PCJ apresentou nesta terça-feira (17) a minuta da chamada Carta de Santa Bárbara, um documento estratégico que reúne propostas para enfrentar os desafios da gestão da água nas

Consórcio PCJ apresenta plano regional para enfrentar mudanças climáticas e escassez de água
Foto: Oscar Herculano JR/EPTV

O Consórcio PCJ apresentou nesta terça-feira (17) a minuta da chamada Carta de Santa Bárbara, um documento estratégico que reúne propostas para enfrentar os desafios da gestão da água nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.

A iniciativa surge em um cenário de pressão crescente sobre os recursos hídricos, com períodos de estiagem mais severos e episódios de chuva intensa, reflexo direto das mudanças climáticas. O objetivo é orientar municípios, empresas e a sociedade na adoção de medidas que garantam segurança hídrica no presente e no futuro.

A carta foi discutida durante a 98ª Reunião Ordinária do Consórcio PCJ, em Santa Bárbara d’Oeste, e ainda está em fase de minuta, ou seja, aberta a contribuições antes da versão final.

O que propõe a Carta de Santa Bárbara

O documento reúne uma série de diretrizes e recomendações para enfrentar o chamado estresse hídrico da região, quando a demanda por água é maior do que a disponibilidade.

Entre os principais pontos estão:

  • ampliação da disponibilidade de água
  • redução de perdas nos sistemas de abastecimento
  • aumento da capacidade de reservação
  • preservação e recuperação de mananciais
  • incentivo ao reúso da água
  • elaboração e atualização de planos municipais de recursos hídricos
  • preparação para eventos climáticos extremos
  • fortalecimento da gestão integrada entre municípios

Outro destaque é a discussão sobre a renovação da outorga do Sistema Cantareira, considerado essencial para o abastecimento tanto das bacias PCJ quanto da Região Metropolitana de São Paulo.

Região enfrenta estresse hídrico crônico

De acordo com o assessor técnico do Consórcio PCJ, Flávio Forte Stênico, a situação da região é estrutural.

“As bacias PCJ são uma bacia de estresse hídrico crônico. A disponibilidade de água é reduzida tanto pelas características naturais dos rios, que não são volumosos, quanto pelo grande adensamento urbano, industrial e populacional da região”, explicou.

Hoje, as bacias PCJ reúnem cerca de 76 municípios e aproximadamente 6 milhões de habitantes, além de um dos principais polos industriais e tecnológicos do país.

Dados do próprio consórcio indicam que a disponibilidade hídrica por habitante vem caindo ao longo dos anos, ao mesmo tempo em que a demanda segue em crescimento, com projeção de aumento de cerca de 30% até 2035.

Dependência do Sistema Cantareira preocupa

Mesmo com investimentos em novos reservatórios, como Pedreira, Duas Pontes e Piraí, a região ainda depende das vazões do Sistema Cantareira.

A carta reforça a necessidade de garantir volumes mínimos de água para as bacias PCJ no processo de renovação da outorga do sistema, que é compartilhado com a Grande São Paulo.

O documento também recomenda a diversificação das fontes de abastecimento e maior integração entre sistemas hídricos.

Avanços e desafios

Apesar das dificuldades, a região já apresentou avanços importantes nas últimas décadas.

O índice de tratamento de esgoto, por exemplo, saiu de cerca de 3% no fim dos anos 1980 para aproximadamente 85% atualmente. Já as perdas de água nos sistemas de distribuição caíram de cerca de 50% para algo entre 30% e 34%.

Mesmo assim, ainda há desafios, principalmente relacionados a investimentos e à capacidade financeira dos municípios para implementar as ações necessárias.

Prazo e próximos passos

A Carta de Santa Bárbara ainda está em fase de minuta e deve passar por um período de contribuições dos municípios associados, empresas e demais entidades envolvidas.

Após essa etapa, o documento será consolidado e publicado oficialmente pelo Consórcio PCJ. A previsão é que ele sirva como base para planejamento e políticas públicas nos próximos anos, especialmente no horizonte até 2035.

Segundo o consórcio, o conteúdo também ficará disponível ao público no site oficial da entidade.

A expectativa é que a carta funcione como um pacto regional pela água, reforçando a necessidade de ações integradas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas e garantir o abastecimento em uma das regiões mais desenvolvidas do país.

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