O setor supermercadista da região de Campinas registrou um crescimento de 164% nas contratações em 2025. Os dados são da Associação Paulista de Supermercados, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.
Entre as 16 regionais e distritais da entidade, Campinas foi a segunda que mais gerou empregos no ano passado, com saldo líquido de 4.181 vagas. Em 2024, o saldo havia sido de 1.584 postos de trabalho.
Com o avanço, o número total de trabalhadores no setor passou de 112.990 em 2024 para 117.171 em 2025, um crescimento de 3,7%. A regional da APAS em Campinas abrange 86 municípios e reúne mais de 3.700 estabelecimentos, entre micro, pequenas, médias e grandes empresas.
Segundo o presidente da APAS, Erlon Ortega, o crescimento reflete o aquecimento do setor, impulsionado pela abertura de novas lojas e pela necessidade de recomposição da mão de obra.
“Não, representa um aumento. O setor está aquecido, o setor está crescendo e o setor também vem de um déficit de mão de obra. No estado de São Paulo temos aproximadamente 37 mil vagas abertas hoje em todo o estado de São Paulo. Região de Campinas é uma região pujante, certo que não é diferente, ela tem também esse crescimento e houve quase 5 mil novas contratações no último ano com abertura de novas lojas e principalmente é o incremento da mão de obra estava faltando desse déficit que nós temos em todo o estado de São Paulo.”
O levantamento também evidencia mudanças no perfil dos trabalhadores. Apesar de o setor historicamente ser porta de entrada para jovens, a atração dessa faixa etária tem sido mais desafiadora.
“Olha, o supermercado tradicionalmente é a porta de entrada para o jovem. Mas hoje o jovem tem outros sonhos, como empreender, como ser um influencer, como ser um youtuber e outras atividades, como trabalhar de entregador de aplicativo ou motorista de aplicativo. É uma nova realidade, é um novo formato”, afirmou Ortega.
Por outro lado, cresce a participação de profissionais acima dos 50 anos, que já representam quase 10% do quadro de funcionários.
“Isso é, primeiramente, a falta do jovem. Segundo, a grata surpresa de quando você traz um 50 mais, um 60 mais, que agora é quase 10% do nosso quadro, são pessoas extremamente atenciosas, pessoas que são de uma geração de mais conversa, de melhor atendimento.”
Outro destaque é a presença feminina no setor. As mulheres foram responsáveis por 71% das novas contratações e já representam a maioria dos trabalhadores, com presença crescente também em cargos de liderança, impulsionadas por planos de carreira dentro das empresas.
Além disso, o setor investe em qualificação profissional por meio de programas como a escola da APAS e parcerias com o poder público para capacitação de trabalhadores.
Apesar do crescimento nas contratações, o setor ainda enfrenta escassez de mão de obra. Segundo a entidade, milhares de vagas seguem abertas em todo o estado, inclusive na região de Campinas, tanto em grandes centros quanto em cidades de menor porte.
A expectativa é de que o aquecimento do setor continue ao longo de 2026, acompanhado de mudanças nas formas de contratação para atrair novos perfis de trabalhadores, especialmente os mais jovens.