A Polícia Civil investiga se outras farmácias e até vendas pela internet podem estar envolvidas na distribuição de medicamentos produzidos em um laboratório clandestino interditado pela Vigilância Sanitária em Campinas.
A ação aconteceu em conjunto após uma denúncia anônima recebida pelo órgão municipal, que indicava o funcionamento irregular de uma farmácia de manipulação. Durante a fiscalização, inicialmente, nenhuma irregularidade foi encontrada na farmácia.
No entanto, os agentes identificaram uma porta lateral que dava acesso a um outro imóvel, anunciado como clínica estética. Ao entrarem no local, descobriram que, na verdade, funcionava uma fábrica clandestina de medicamentos.
Produção em larga escala levanta suspeita de distribuição
De acordo com a Polícia Civil, o volume de produção indica que os produtos não eram destinados apenas à farmácia regularizada.
Documentos apreendidos no local apontam uma meta de produção de até 50 mil cápsulas por dia, o que levanta a suspeita de distribuição para outros estabelecimentos e também para venda online.
Além disso, foram apreendidos documentos, celulares e outros dispositivos eletrônicos que agora serão analisados para rastrear o destino dos medicamentos.
A polícia não descarta a existência de uma organização criminosa envolvida no esquema, com divisão de etapas como produção, embalagem e distribuição.
Irregularidades colocavam saúde em risco
Durante a fiscalização, a Vigilância Sanitária encontrou diversas irregularidades no laboratório clandestino.
Os medicamentos eram manipulados sem qualquer controle de qualidade, com risco de contaminação cruzada entre substâncias. Também não havia garantia da dosagem correta dos princípios ativos em cada cápsula.
Além disso, foram encontrados insumos vencidos, armazenamento inadequado e uso de equipamentos sem higiene.
Segundo a polícia, essas condições poderiam fazer com que os consumidores recebessem medicamentos ineficazes ou até contaminados, com risco de intoxicação.
Três pessoas foram presas
Três pessoas foram presas em flagrante no local: dois operadores das máquinas e o farmacêutico responsável técnico pela farmácia.
Outros funcionários foram ouvidos como testemunhas.
O caso segue em investigação, e os suspeitos passaram por audiência de custódia.
Materiais apreendidos chegam a 3 toneladas
A Vigilância Sanitária informou que foram apreendidas cerca de três toneladas de matéria-prima usada na produção dos medicamentos, avaliadas em aproximadamente 940 mil reais.
Todo o material será submetido à perícia e, posteriormente, descartado.
O espaço clandestino foi interditado, e o responsável terá prazo para apresentar defesa.
Empresa contesta versão
Em nota, a empresa responsável afirmou que possui licença sanitária e alvará de funcionamento regulares.
Disse ainda que todas as matérias-primas têm certificação de qualidade e origem comprovada.
A empresa também contestou a quantidade de insumos apreendidos, afirmando que o volume seria incompatível com o tamanho do local.
Já a Vigilância Sanitária reforçou que o laboratório clandestino não possuía autorização para funcionamento e utilizava de forma fraudulenta a licença da farmácia regular para sustentar a operação irregular.
Outro caso reforça alerta sobre medicamentos ilegais
No mesmo dia da operação, a Polícia Civil prendeu uma mulher de 53 anos no bairro Swiss Park, em Campinas, suspeita de vender medicamentos irregulares pela internet.
Com ela, foram apreendidos 145 frascos de canetas emagrecedoras de uma marca proibida no Brasil, além de 21 celulares.
Segundo a investigação, os produtos eram trazidos do exterior, possivelmente da região de fronteira com o Paraguai, e revendidos sem prescrição médica.
Investigação continua
A Polícia Civil agora trabalha para identificar possíveis conexões entre os casos e mapear toda a cadeia de distribuição dos medicamentos irregulares.
A orientação é que a população evite a compra de medicamentos sem prescrição e denuncie irregularidades à Vigilância Sanitária ou à polícia, inclusive de forma anônima.