Apesar de não serem o principal alvo dos criminosos, os idosos são os que mais acabam caindo em golpes digitais no estado de São Paulo. É o que mostra uma pesquisa inédita da Fundação Seade, que ouviu 14 mil pessoas.
O levantamento revela que a faixa etária de 45 a 59 anos é a que mais recebe tentativas de golpe, com 92%. Já entre pessoas com 60 anos ou mais, o índice é de 82%. Mesmo assim, são os mais velhos que lideram quando o assunto é prejuízo efetivo.
Um dos principais fatores para esse cenário é o uso indevido de dados pessoais vazados. Com informações como CPF, telefone e até dados bancários, criminosos conseguem dar aparência de legitimidade às abordagens, aumentando as chances de sucesso.
Outro ponto importante é a chamada engenharia social, estratégia em que os golpistas simulam situações reais para enganar as vítimas. Isso pode acontecer por meio de ligações falsas, mensagens que imitam bancos ou até contatos que se passam por familiares. A ideia é criar urgência e pressionar a pessoa a tomar uma decisão rápida.
A menor familiaridade com a tecnologia também pesa. Parte da população idosa ainda enfrenta dificuldades para identificar links suspeitos, reconhecer mensagens falsas ou entender mecanismos de segurança digital, o que aumenta a vulnerabilidade.
Além do prejuízo financeiro, os impactos também são emocionais. Há relatos de vítimas que perderam economias, tiveram contas invadidas e passaram a enfrentar ansiedade, desconfiança e até depressão após os golpes.
O avanço desse tipo de crime acompanha a digitalização dos serviços e o aumento do uso da internet. Com mais pessoas conectadas, principalmente para operações bancárias e compras, os criminosos ampliam o alcance das fraudes.
Diante desse cenário, especialistas apontam a necessidade de ampliar a educação digital, especialmente entre os mais velhos. Orientações simples, como não clicar em links desconhecidos, não compartilhar dados pessoais e sempre confirmar informações com alguém de confiança, podem evitar prejuízos.
Outro ponto destacado é a responsabilidade das plataformas e instituições financeiras, que precisam investir em mecanismos mais eficientes para identificar e bloquear tentativas de golpe.
O principal alerta continua sendo o mesmo: desconfie de mensagens ou ligações inesperadas, principalmente quando envolvem urgência. Em caso de dúvida, a recomendação é parar, checar e não tomar decisões precipitadas.