A Justiça Federal concedeu liberdade provisória, na tarde desta terça-feira (24), à professora doutora Soledad Palameta Miller, presa em flagrante suspeita de furtar material biológico de um laboratório da Unicamp, em Campinas. Na decisão judicial, as amostras que estavam desaparecidas são tratadas como vírus. O tipo de material era mantido em sigilo pelos órgãos públicos até então.
A pesquisadora chegou a ser levada para a Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu após a operação da Polícia Federal realizada na Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde ela trabalha. As amostras pertencem ao Instituto de Biologia e estavam desaparecidas desde fevereiro. O material foi recuperado pela Polícia Federal em laboratórios utilizados pela professora e encaminhado para análise do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Segundo a Polícia Federal, a investigada pode responder por furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.
A defesa da pesquisadora afirma que não há provas de materialidade do furto e que a professora utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por falta de estrutura própria na unidade onde atuava.
Soledad Palameta Miller é argentina, tem 36 anos e atua como coordenadora do Laboratório de Virologia e Biotecnologia em Alimentos da Faculdade de Engenharia de Alimentos. Ela ingressou na Unicamp em 2025 e desenvolve pesquisas nas áreas de vigilância epidemiológica e desenvolvimento de diagnósticos e terapias relacionadas a vírus transmitidos por alimentos e água.
O laboratório onde ela trabalha manipula materiais classificados nos níveis de biossegurança 2 e 3, que podem causar doenças graves em humanos e animais, embora parte dos agentes estudados já possua vacina ou tratamento.
A Unicamp informou que permanece à disposição das autoridades e reafirmou o compromisso com a integridade das pesquisas. Os laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos, que chegaram a ser interditados, foram liberados para uso ainda na segunda-feira.