A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou a Operação Coffee Break no ano passado para desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudar licitações e superfaturar contratos na área da educação em diversas prefeituras paulistas. Segundo as investigações, o esquema movimentou cerca de R$ 128 milhões entre 2021 e 2024. Nesta quinta-feira, mais uma etapa foi realizada.
Entenda tudo que aconteceu
O foco central das investigações é a empresa Life Tecnologia Educacional, acusada de vender kits de robótica e softwares com sobrepreço de até 80 vezes o valor de mercado. Em um dos casos, itens comprados por R$ 1 eram revendidos ao poder público por R$ 80. O nome da operação remete aos encontros em “pausas para o café”, onde eram ajustados os editais direcionados e o pagamento de propinas.
Prisões e afastamentos em Hortolândia e Sumaré
A primeira fase da operação, em novembro de 2025, resultou na prisão preventiva de figuras do alto escalão político. Em Hortolândia, o vice-prefeito e secretário de Governo, Cafu César, o secretário de Educação, Fernando Moraes, e a diretora de departamento, Carla Ariane Trindade, foram detidos e posteriormente exonerados. A prefeitura de Hortolândia mantinha um contrato de R$ 17,9 milhões com a empresa investigada.
Em Sumaré, o ex-secretário de Educação, José Aparecido Ribeiro Marin, também foi alvo de mandado de prisão. Após alguns dias foragido, Marin obteve um habeas corpus. Em dezembro, a Justiça Federal concedeu liberdade provisória aos principais envolvidos, mediante o uso de tornozeleira eletrônica e o afastamento de funções públicas.
Desdobramentos e arsenal
A investigação avançou para a terceira fase em janeiro de 2026. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em uma chácara vinculada a José Aparecido Ribeiro Marin, a Polícia Federal apreendeu um arsenal composto por 11 armas de fogo de grosso calibre e cerca de 400 munições. A defesa do ex-secretário alega que o armamento é devidamente registrado sob a categoria de CAC (Caçador, Atirador e Colecionador).
Impacto nas Prefeituras
Além das prisões, a operação provocou a abertura de comissões de investigação (CPIs e CEIs) nas Câmaras Municipais de Limeira e Hortolândia. Em Limeira, o contrato sob suspeita chega a R$ 11,9 milhões. Os investigados podem responder por crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.