O principal alvo da Operação Fallax, apontado como líder de um esquema milionário de fraudes bancárias, se entregou à Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (27), em Piracicaba.
Thiago Branco de Azevedo, conhecido como “Ralado”, estava foragido desde quarta-feira (25), quando a operação foi deflagrada. Segundo a Polícia Federal, ele é considerado o articulador central do esquema, responsável por criar empresas fictícias e estruturar as fraudes contra instituições financeiras, principalmente a Caixa Econômica Federal.
Além dele, também se apresentaram à Polícia Federal a esposa, Glaucia Juliana de Azevedo, e o cunhado, Julio Ricardo Iglesiar Oriolo. Os três eram considerados foragidos desde o início da operação.
Com a apresentação do trio, sobe para 18 o número de presos na investigação. Outras três pessoas seguem foragidas.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, o grupo operava por meio da abertura de contas bancárias em nome de empresas de fachada. Para isso, utilizava “laranjas” e até identidades inexistentes, o que permitia a movimentação de grandes quantias sem levantar suspeitas imediatas.
A organização criminosa também é investigada por crimes de lavagem de dinheiro e estelionato. Segundo a Polícia Federal, a estrutura do grupo era ampla e bem articulada, com atuação em diferentes estados.
Entre os presos está também Rafael de Gois, apontado como sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor, que figura entre os alvos da operação.
Vida de luxo e ostentação
Ainda segundo a investigação, Thiago Branco de Azevedo levava uma vida de alto padrão com recursos provenientes das fraudes. Em redes sociais, ele ostentava carros de luxo, publicava vídeos dirigindo em alta velocidade e promovia festas com a presença de cantores sertanejos. Os nomes dos artistas não foram divulgados.
A operação
A Operação Fallax foi deflagrada em três estados e cumpriu, ao todo, 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão.
Na região de Piracicaba, foram cumpridos 20 mandados de busca e nove de prisão preventiva. Também houve ações em cidades como Americana, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste, Itapira e Rio Claro.
Em Americana, a Polícia Federal apreendeu computadores, celulares e documentos em imóveis ligados aos investigados, incluindo um endereço no condomínio Terras do Imperador. O material é considerado importante para o avanço das investigações.
Nota da Caixa
Em nota, a Caixa Econômica Federal informou que atua permanentemente em cooperação com os órgãos de segurança pública e de controle, especialmente a Polícia Federal, no combate a fraudes bancárias, estelionatos e crimes de lavagem de dinheiro.
A instituição destacou que possui políticas rigorosas de prevenção e combate a fraudes, alinhadas à legislação e às normas dos órgãos reguladores. Segundo o banco, sempre que são identificadas movimentações atípicas ou indícios de irregularidades, os casos são imediatamente comunicados às autoridades competentes.
A Caixa também reforçou o compromisso com a integridade, a transparência e a proteção do patrimônio público, além da adoção de medidas administrativas e judiciais para responsabilização dos envolvidos e eventual ressarcimento de prejuízos.
Investigações continuam
A investigação teve início em 2024, após a identificação de indícios de um esquema estruturado voltado à obtenção de vantagens ilícitas.
Agora, com a prisão dos principais investigados, a Polícia Federal trabalha para localizar os três foragidos e aprofundar a análise do material apreendido, o que pode levar à identificação de novos envolvidos no esquema.