O Ministério Público investiga dois médicos do Hospital de Clínicas da Unicamp suspeitos de favorecer pacientes no acesso a cirurgias bariátricas, fora da fila oficial do Sistema Único de Saúde.
De acordo com a apuração, os profissionais teriam criado um sistema paralelo ao da CROSS, a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde, responsável por organizar atendimentos com base em critérios técnicos, como gravidade dos casos e ordem de espera.
Os investigados são o médico Elinton Adami Chaim, coordenador do Ambulatório de Obesidade, e o filho dele, Felipe David Mendonça Chaim, sócio de uma empresa de serviços médicos que mantinha contratos com municípios da região, principalmente Indaiatuba.
Segundo o Ministério Público, pacientes vinculados a essa empresa teriam sido atendidos utilizando a estrutura do Hospital de Clínicas da Unicamp, sem passar pelo fluxo regular do SUS.
O órgão pediu à Justiça o afastamento dos dois médicos por 90 dias e o bloqueio de bens no valor de R$ 1,428 milhão, por suspeita de enriquecimento ilícito. Também foi solicitada indenização de R$ 432 mil por danos morais coletivos.
A defesa afirma que ainda não teve acesso ao inquérito, mas sustenta que os fatos já foram analisados em processo administrativo interno da Unicamp, que concluiu não haver prejuízo à fila do SUS.
A universidade informou que a apuração interna resultou na suspensão de Felipe Chaim por 10 dias e na absolvição de Elinton Chaim, considerando o tempo de serviço do profissional.
A Secretaria de Saúde de Indaiatuba declarou que não mantém mais contrato com a empresa citada e que, durante a vigência, não identificou irregularidades.
O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que ainda não há decisão sobre o pedido do Ministério Público.
O caso não altera o funcionamento da CROSS, e os médicos seguem atuando até eventual decisão judicial.