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Mês da Mulher: Campineiras avançam em profissões ainda dominadas por homens

No mês da mulher, campineiras relatam como têm conquistado espaço em áreas ainda dominadas por homens. Elas ajudam a retratar uma mudança que acontece, aos poucos, no mercado de trabalho.

Mês da Mulher: Campineiras avançam em profissões ainda dominadas por homens
Foto: Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas

No mês da mulher, campineiras relatam como têm conquistado espaço em áreas ainda dominadas por homens. Elas ajudam a retratar uma mudança que acontece, aos poucos, no mercado de trabalho.

Na construção civil, a mestre de obras Silvia Porto lidera cerca de 80 trabalhadores diariamente. Aos 26 anos, começou nos canteiros e mesmo enfrentando um ambiente predominantemente masculino, superou as barreiras de gênero. Começou trabalhando como técnica em edificações, conquistou protagonismo e assumiu o comando das obras.

“No começo tudo é mais difícil. Você tem que estar sempre ali mostrando que tem conhecimento. Muita briga, mas nunca baixei a cabeça”, contou.

Atualmente, Silvia diz que o cenário é diferente. O respeito vem com a convivência e com o resultado do trabalho. Ela está no último ano da graduação em Engenharia Civil. A mestre de obras defende que postura é essencial para enfrentar o machismo no ambiente profissional.

“A gente não precisa ter força de homem. A gente só precisa ter o jeito de mulher.”

Na aviação, a mudança também acontece dentro dos hangares. A mecânica Francisca Morais entrou na área há pouco mais de um ano, por meio de um programa de inclusão feminina da Azul Linhas Aéreas.

 A trajetória profissional começou bem diferente, na indústria química. Apesar de nunca ter imaginado trabalhar com aviões, ela se identificou muito com a área e atua na manutenção de aeronaves em Campinas.

“Quando eu entrei, eu fiquei fascinada. É um privilégio fazer parte desse mundo.”

Para ela, cada nova mulher que entra na manutenção aeronáutica abre caminho para outras. São passos importantes para começar a mudar a cultura de um setor historicamente masculino.

“O fator ser mulher nunca pode ser um limite para o que a gente pode vir a conseguir.”

A presença feminina ainda não é maioria nesses setores. São avanços tímidos, mas que deixam de ser novidade para se tornar rotina. Com competência e profissionalismo, provam todos os dias que esse lugar também é delas.

Homenagem no mês da mulher

Silvia e Francisca, além de outras mulheres de Campinas, foram homenageadas nesta quarta-feira (4) pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, em uma cerimônia de abertura do mês da mulher, no Paço Municipal. Elas viraram tema de uma exposição no saguão da Prefeitura que homenageia mulheres com trajetórias inspiradoras. A exposição com fotos e as histórias de cada uma delas será destaque durante todo o mês.

Ações permanentes e políticas públicas para as mulheres

A Prefeitura mantém uma rede de proteção às mulheres vítimas de violência. A Guarda Amiga da Mulher (Gama) fiscaliza o cumprimento de medidas protetivas com visitas periódicas, sendo que em 2025 foram 6.555 atendimentos. A corporação também atua pelo Botão SOS Gama, que permite acionar uma equipe pelo celular. Localizada na base do Centro da GCM, a Sala Lilás oferece acolhimento e orientação às mulheres, encaminhando para a rede de atendimento.

Na área da Saúde, o Hospital da Mulher (Craim) atende pacientes encaminhadas por outros serviços, em dias úteis, das 7h às 19h. Já o Abrigo Sara-M oferta acolhimento para mulheres vítimas de violência e seus filhos, enquanto o Abrigo Santa Clara oferece abrigo para mulheres e filhos em situação de rua.

Também há medidas de prevenção e suporte social. O programa Bem Campinas garante benefícios eventuais, incluindo auxílio-moradia de R$ 994,30 por seis meses para vítimas de violência, com possibilidade de prorrogação.

O projeto Bem-Me-Quero, em parceria com a Secretaria de Educação, promove ações educativas sobre enfrentamento à violência, saúde e empoderamento feminino, e já alcançou cerca de 9,1 mil participantes até 2025.

No transporte público, o Botão Bela permite denunciar importunação e assédio pelo aplicativo da Emdec; a lei do Desembarque Fora do Horário autoriza mulheres a descerem em local mais seguro entre 22h e 5h; e o Abrigo Amigo disponibiliza totem com chamada de vídeo para a central de atendimento, com 3,1 mil chamados desde 2023, sendo 455 apenas em 2026.

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