Os moradores de Campinas têm reclamado dos valores cobrados pela Sanasa, responsável pelo abastecimento de água e tratamento de esgoto no município. A população relata que os preços das contas são abusivos e questiona a cobrança para recolhimento e tratamento do esgoto.
Rosana Borges é moradora do Jardim Von Zuben e relata que as contas passaram de uma média de R$ 130 para mais de R$ 400. Ela afirma que vários outros residentes do bairro estão passando pelo mesmo problema.
Outra moradora que relata valores abusivos é a Flaviane Ortega. Ela afirma que além de arcar com o valor para fazer a ligação de água, de R$ 2 mil, foi informada que precisaria pagar outros R$ 7 mil para passagem da rede no terreno.
Na Sanasa, uma conta residencial de até 10 m³ fica em torno de R$ 120. Esse valor é composto por cerca de R$ 53 pela água, mais R$ 42 pela coleta e afastamento de esgoto e aproximadamente R$ 23 pelo tratamento. Ou seja, o esgoto é cobrado em duas partes separadas, o que aumenta o valor final da conta.
Na Sabesp, por exemplo, que atende cidades como Hortolândia e Paulínia, o mesmo consumo de até 10 m³ resulta em uma conta entre R$ 120 e R$ 130. Nesse caso, a água custa cerca de R$ 64 (com base em R$ 6,40 por m³). O esgoto é cobrado de forma proporcional e unificada, equivalente a 100% desse valor, sem divisão entre coleta e tratamento.
A CBN questionou a Sanasa sobre o caso. Em nota, a autarquia informou que a tarifa de água é definida pela ARES-PCJ, agência reguladora que fiscaliza e regula os serviços de saneamento de Campinas e região.
Segundo a Sanasa, Campinas atende a 99,9% da população com água potável de qualidade; 97,1% da população tem seu esgoto coletado e 94,3% de esgoto tratado. Os números apontam que os serviços de saneamento foram universalizados 10 anos antes do previsto em lei.
Disse que os recursos provenientes da tarifa são para melhorar a infraestrutura de saneamento da cidade e para o funcionamento. Afirmou ainda, em nota, que não é possível comparar tarifas sem comparar a qualidade do serviço.
No caso da moradora Rosana Borges, a Sanasa informou que a consumidora é classificada como residencial padrão. Em março de 2025, o consumo era de 11m³ e em fevereiro desse ano alcançou 24m³. Em janeiro, 22m³; em dezembro, 12m³. Também passa por quatro faixas de consumo.
Já no caso da reclamação de Flaviane Ortega, a Sanasa disse que se enquadra na categoria residencial padrão e tinha um consumo, em março do ano passado, de 5m³. Em fevereiro de 2026, subiu para 24m³. O consumo do imóvel tem aumentado gradativamente mês a mês, passando por quatro faixas de consumo da tabela da tarifa. Em janeiro desse ano, o consumo foi de 13m³.
A Sanasa aindo ressaltou que “em ambos os casos, se não houve mudança de rotina no imóvel (aumento no número de pessoas no local, reformas com mais uso de água, férias com visitas, etc), pode ser indicativo de vazamento interno. Nesse caso, o consumidor deve procurar um especialista para localizar e consertar o vazamento. Depois do serviço feito, ele pode procurar uma agência da Sanasa para solicitar retificação da conta, levando os comprovantes do conserto que atestam a existência do vazamento interno. Se o imóvel não teve retificações nas tarifas nos últimos doze meses e após análise da Sanasa reconhecendo o vazamento, ele terá o desconto na conta.”
O consumidor também pode fazer um teste para verificar a possibilidade de vazamento no imóvel, seguindo as instruções do link: https://www.sanasa.com.br/servicos/teste-de-vazamentos/
No caso específico de Franca, que ficou em primeiro lugar no Ranking de Saneamento do Trata Brasil e é atendida pela Sabesp, a Sanasa informou que a cidade não tem tratamento terciário de esgoto – uma etapa final e mais avançada de purificação.
Em relação à comparação com a Sabesp, disse ainda que o modelo de regulação da empresa conta com subsídio transferido dos consumidores da capital e região metropolitana para o interior, beneficiando os consumidores do interior. Ou seja, quem mora em São Paulo acaba pagando valores mais altos para compensar municípios do interior.