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Mulheres já comandam 45% dos pequenos negócios em Campinas, aponta Sebrae

CBN Campinas conhece histórias de empreendedoras que movimentam a economia da metrópole
Mulheres já comandam 45% dos pequenos negócios em Campinas, aponta Sebrae
Foto: Kevin Kamada/CBN Campinas

Elas criam, vão atrás dos materiais, compram, produzem e vendem! O número de empreendedoras cresce com força na região de Campinas. Dados do Sebrae-SP mostram que, no ano passado, elas eram quase 133 mil nas 20 cidades da nossa área metropolitana.

Apenas em Campinas, elas já estão no comando de 58 mil CNPJs, que muitas vezes nascem como MEIs, viram microempresas, e só o tamanho do sonho pode ser limite. 

Mas cada conjunto de 14 dígitos de CNPJ guarda muito além de um registro tributário. Tem história e, principalmente, identidade em cada novo negócio

O brilho do sonho

Foram 14 anos trabalhando como CLT, até a decisão de mudar de rumo e um desafio: como conseguir a recolocação que oferecesse o mesmo padrão de vida? 

Thaís Costa Padial não pensou duas vezes. Depois de aprender sobre gestão de negócios, o sorriso no rosto não esconde a satisfação da independência de fazer o que gosta e de inspirar outras mulheres a seguirem o mesmo caminho. 

É como se fosse um pódio em ouro, prata e bronze, os mesmos metais das semijoias que ela fabrica e exibe com o orgulho de uma vitória. 

“Na verdade eu tentei voltar para o mercado de trabalho e o salário [que eu receberia] seria bem incompatível com o que eu ganhava depois de 14 anos de empresa. E eu achei uma oportunidade. Eu conheci as meninas que faziam feira e eu também faço parte da Economia Solidária. A feira para mim é uma fonte de renda, e eu acho importante. Eu tô feliz e, graças a Deus, está indo super bem!”, comemora.

De ponto em ponto

Já o som do pedal da máquina de costura parece até o de um carro. É a melodia de quem assumiu o volante e acelera em direção à autonomia, o controle da própria vida. 

São os acabamentos que a Neide Garcia está fazendo nas bolsas de crochê.  

Trabalho cuidadoso e de reflexão, afinal, cada ponto lembra como a independência profissional da mulher é como um tecido: linhas diferentes, ponto a ponto, até que o resultado seja uma bolsa colorida, com bastante vida. 

“[Vendo] tudo referente ao crochê! Crochê moderno, bolsas confeccionadas à mão, inclusive forro, tecidos. Reciclagem de jeans, eu faço bolsas com jeans reciclado. Deixo a criatividade voar! Desde que eu me aposentei, eu investi no meu hobby que se transformou em algo bom pro corpo, pra alma, pro coração e pro bolso! E eu recomendo!”, convida a artesã.

A força da identidade

Mas a semijoia não seria tão brilhante, nem a bolsa de crochê tão chamativa, se não tivessem um componente muito importante: a identidade. 

A Thaís, a Neide e tantas empreendedoras carregam com elas as histórias de cada lugar onde elas vivem, trabalham e fazem chegar mais longe a notícia do que elas produzem. 

Exatamente como a líder indígena Lu Ahamy Myrym também nos conta. Por trás de cada entalhe das esculturas de tucano, capivara e tatu, símbolos da fauna do Brasil. 

Cada peça que a artesã exibe para venda, resgata um elo da sua ancestralidade. É o orgulho de lembrar da importância dos povos indígenas em uma cidade como Campinas. 

“São artefatos que a gente traz da nossa comunidade. Por mais que eu esteja aqui no contexto urbanizado, eu tenho o meu território. Eu sou uma Guarani Mbya, do litoral de São Paulo. O meu esposo é Pataxó Camacã, da Bahia. Estamos em família, mas como nós também somos uma empresa de formação de professores, alunos e oficinas, ao trabalhar em família a gente acaba trazendo a nossa cultura”, explica.

Perfil nacional

Segundo a pesquisa “Empreendedoras e Seus Negócios”, do Instituto Rede Mulher Empreendedora, 58,3% delas são chefes de família, e usam o negócio como principal fonte de sustento para os seus dependentes. 

Na sequência, aparecem as empreendedoras que buscam independência financeira, 38,5%; e aquelas que já tem algum emprego fixo, mas buscam aumentar a renda, 34,1%. 

Agora se eu te perguntasse quantas empreendedoras você já conhece aí no seu bairro, conseguiria indicar alguma pra gente?

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