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No Gargantilha, moradores reclamam que brita para nivelar ruas de terra danifica pneus

Queixas aparecem após o serviço de nivelamento das ruas da região; Prefeitura de Campinas responde
No Gargantilha, moradores reclamam que brita para nivelar ruas de terra danifica pneus
Foto: Kevin Kamada/CBN Campinas

A Prefeitura de Campinas iniciou, na segunda-feira (16), mais uma etapa do trabalho do trabalho de nivelamento das ruas da região do Chácaras Gargantilha, em Campinas. O bairro rural, que existe há cerca de 40 anos, ainda sofre com a ausência de asfalto.

Os trabalhos são liderados pela Secretaria de Serviços Públicos, que tem realizado um trabalho de compactação do solo e aplicação de 150 toneladas de brita para regularizar o pavimento. 

Mas pelo menos, por enquanto, o resultado do serviço não tem agradado os moradores da região. Leia e ouça as respostas da Prefeitura e da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) no final da matéria.

Na entrada do Gargantilha, a Ana Beatriz lamenta o pneu traseiro esquerdo do carro que acabou rasgando. Segundo ela, o problema teria sido provocado pelas pedras pontiagudas que têm sido aplicadas pela Prefeitura. 

“A questão aqui é bem complicada. Eles gastam com a manutenção nas vias do que gastariam fazendo a pavimentação, né? Não são eles que têm que enfrentar isso todo dia. É bem sofrido pra gente. Se fossem eles, seria bem mais rápido para resolver”, critica a moradora.

De fato, a reportagem da CBN Campinas confirmou na tarde desta terça-feira (17) que muitas das pedras de brita têm proporções maiores que as aplicadas em outras vezes. 

E a poeira continua sendo um desafio para os comerciantes. Alguns carros que passam pela Avenida Antônio Ignacio Pupo, em alta velocidade, levantam cortinas de pó, que invadem o empório da Tatiane

“O cliente chega e não quer produto sujo na prateleira, né? Não tem um pensamento na saúde das crianças, dos idosos. Esse pó o tempo todo é muito complicado”, lamenta a comerciante.

Enquanto a gente gravava esta entrevista, notamos que mesmo depois do nivelamento da avenida, o barulho dos amortecedores ainda mostra como os veículos continuam sendo castigados pela ausência de asfalto. Quem fala é o motorista Breno Fernandes

“Uma parte por onde passa o ônibus eles mexeram, mas só quando a situação fica mais crítica e intransitável. Tem que transitar, não tem jeito, mas fica bem difícil a situação”, cobra o morador.

A reportagem da CBN também circulou pelas ruas internas da região. Segundo a Prefeitura, o cronograma de melhorias prioriza a Avenida Antônio Ignacio Pupo, principal via de acesso aos bairros da região. Na sequência, as melhorias vão chegar às ruas paralelas.

Próxima dela, no interior do bairro Carlos Gomes, encontramos um grupo de moradoras indignadas com o atraso do ônibus. Elas contam que não tem sido raro que alguns motoristas desviem a rota original dentro dos bairros.

Prefeitura responde

Segundo a Prefeitura de Campinas, os trabalhos de nivelamento e regularização do pavimento estão sendo realizado por quatro máquinas motoniveladoras e 10 caminhões basculantes. 

Os serviços iniciados na segunda-feira (16) devem se estender ao longo de toda a semana, e depois avançar pelas vias paralelas. 

A Administração diz que, durante o Verão, tem feito manutenções semanais em bairros como o Chácaras Gargantilha e o Recanto dos Dourados, em razão do alto volume de chuvas registrado no período. 

Sobre as reclamações dos moradores, nesta terça-feira (17), a Prefeitura de Campinas negou usar restos de construção civil como material para nivelamento das ruas

A Prefeitura diz que o material é resultado de um “processo de compactação e peneiramento na Usina Recicladora de Materiais, como já vem sendo feito há mais de 30 anos”. 

Nós questionamos se haveria um padrão técnico para que as pedras não fossem tão pontiagudas, mas a Prefeitura declarou que “não existem normas para um serviço de manutenção e recuperação de ruas de terra de um bairro rural, que também é uma Área de Proteção Ambiental”.

Emdec responde 

Sobre as mudanças de itinerários das linhas de ônibus que atendem o Gargantilha, a Emdec afirmou que as alterações só ocorrem em condições específicas: nas chuvas constantes ou mais intensas, quando provocam condições precárias no pavimento, as rotas habituais podem sofrer mudanças.  

Disse também que, nesses casos, as adaptações priorizam vias mais próximas ao caminho principal e onde haja condição de circulação, o que garante o atendimento à região. Com a normalização do pavimento, o itinerário habitual é imediatamente retomado. 

Sobre a fiscalização dos veículos, a Emdec declarou ter emitido 28 autuações administrativas por alguma irregularidade na linha 350, entre dezembro e fevereiro, e 38 autuações na 358. Em 30 dias distintos, os agentes acompanharam o início da operação das duas linhas, com fiscalização na garagem. 

A Emdec diz que três carros atendem a linha 350, com intervalo em horários de pico, de 40 minutos. Na 358, são três ônibus, com intervalos de uma hora nos períodos de pico. 

Denúncias de problemas podem ser feitas pelo telefone 118, pelo aplicativo Emdec, ou pelo WhatsApp, (19) 3731-2910

A CBN também questionou se há novidades em relação à busca dos recursos para a pavimentação das ruas e avenidas da região. Segundo a Secretaria de Serviços Públicos, os recursos orçamentários ainda vão ser buscados para executar as obras.

Leia a íntegra da nota da Prefeitura

“Sobre reclamações quanto ao material utilizado na manutenção da Avenida Antônio Ignácio Pupo, a Secretaria de Serviços Públicos informa que:

  • Não utiliza restos de construção civil como material para nivelamento de ruas;
  • O material utilizado para o nivelamento das ruas do bairro Chácaras Gargantilha é resultado de um processo de compactação e peneiramento feito na Usina Recicladora de Materiais, procedimento seguido há mais de 30 anos;
  • Não existem normas quanto ao trabalho executado por se tratar de um serviço de manutenção/recuperação das ruas de terra de um bairro rural e que também é uma Área de Proteção Ambiental.”

Leia a íntegra da nota da Emdec

“A região do Gargantilha é atendida pelas linhas 350 (Gargantilha / Estação Cidade Judiciária) e 358 (Recanto dos Dourados / Cidade Judiciária). O território tem uma particularidade específica, porque além de ser rural, também é uma Área de Proteção Ambiental (APA), com algumas restrições, principalmente em relação ao pavimento da via. E, em períodos chuvosos, o itinerário das duas linhas é afetado, comprometendo a integridade dos ônibus.

De maneira geral, por conta de fortes ou constantes chuvas, quando há condições precárias no pavimento, como vias alagadas ou atoleiros, os ônibus do transporte público coletivo municipal alteram o itinerário habitual. A medida é necessária para não colocar em risco a segurança dos passageiros e operadores; e, também, não ocasionar atolamento ou quebra dos veículos.

Nesses casos em que os ônibus não conseguem entrar nos locais que estão alagados, ou com atoleiros, ocorre uma adaptação no itinerário. Os veículos seguem pelas vias mais próximas ao itinerário principal, em que há condições de circulação; e os pontos de parada também ocorrem nesses locais. Dessa forma, o atendimento à região é garantido. Com o pavimento voltando a ter condições de operação dos ônibus, o itinerário habitual é imediatamente retomado.

As alterações de itinerários somente ocorrem nestas condições específicas. A situação é muito dinâmica e depende das condições do pavimento. Mas não ocorre a interrupção na prestação do serviço.

A Emdec fiscaliza, regularmente, os veículos que atendem a região, para verificar as condições de manutenção e segurança. Somente entre dezembro do ano passado (2025) e fevereiro deste ano (2026), ou seja, nos três últimos meses, foram 28 autuações administrativas, por conta de alguma irregularidade na operação da linha 350; e 38 autuações na operação da linha 358. Também no período mencionado, fiscais da Emdec acompanharam o início de operação das duas linhas, com fiscalização na garagem, em 30 dias distintos.

Atualmente são três veículos que atendem a linha 350, com intervalo entre as viagens, nos horários de pico, de 40 minutos. Já na linha 358 também são três ônibus, com intervalos entre as viagens, nos horários de pico, de 1h.

Denúncias da população podem ser realizadas pelo “Fale Conosco Emdec”: telefone 118, ou pelo aplicativo “Emdec”. As ligações a partir de outra cidade ou DDD devem ser feitas no telefone (19) 3731-2910, que também é o número de WhatsApp da Emdec.”

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