Um estudo realizado por pesquisadoras da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aponta que o chamado efeito sanfona, quando a pessoa emagrece e volta a engordar repetidas vezes, pode trazer impactos importantes para a saúde metabólica das mulheres.
A pesquisa analisou 121 mulheres entre 20 e 41 anos, em idade fértil e que ainda não passaram pela menopausa. A maioria relatou já ter passado por ciclos repetidos de perda e ganho de peso.
O trabalho avaliou a chamada gordura marrom, um tipo de tecido do corpo responsável por transformar açúcar e gordura do sangue em energia e calor. Para medir a atividade dessa gordura, as pesquisadoras utilizaram câmeras termográficas, capazes de detectar variações de temperatura na pele.
Os resultados indicam que mulheres que passaram pelo efeito sanfona apresentaram maior quantidade de gordura corporal total e gordura visceral abdominal, além de piores níveis de glicose e colesterol e maior resistência à insulina, fatores associados ao risco de diabetes e doenças cardiovasculares.
Além disso, essas participantes apresentaram menor ativação da gordura marrom, considerada importante para o equilíbrio metabólico.
A moradora de Valinhos, Tainan, conta que viveu o efeito sanfona por muitos anos até decidir mudar de vida. Ela chegou a pesar quase 129 quilos e foi diagnosticada com gordura no fígado antes de passar por uma cirurgia bariátrica.
Hoje, mantém hábitos mais saudáveis, com alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos.
Outra participante ouvida na reportagem, a estudante Daniele, de 18 anos, afirma que o impacto das oscilações de peso também afeta a autoestima.
Segundo as pesquisadoras, o principal caminho para evitar o efeito sanfona é buscar estratégias de emagrecimento sustentáveis, com acompanhamento profissional e foco na manutenção do peso no longo prazo.