A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta‑feira (25), a operação ‘Fallax’ para desmontar um grupo suspeito de fraudes bancárias contra a Caixa, além de estelionato e lavagem de dinheiro. A investigação começou em 2024 e identificou um esquema estruturado que usava funcionários de instituições financeiras e empresas ligadas a um mesmo grupo econômico para movimentar e esconder dinheiro obtido ilegalmente.
Foram expedidos 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Na região de Campinas, houve 20 mandados de busca e 9 de prisão em Americana, Limeira, Rio Claro, Santa Bárbara d’Oeste, Itapira e Campinas. A ação teve apoio do 10º Baep.
Até o momento, 14 pessoas foram presas e 7 seguem foragidas. Entre os envolvidos que ainda não foram encontrados pela Polícia está o principal alvo da operação, Thiago Branco de Azevedo, morador de Americana.
A Polícia informou que ele mantem uma vida luxuosa com o dinheiro das fraudes. Entre os presos no esquema, estão gerentes de bancos, contadores e também pessoas usadas como laranjas.
Quatro dos mandados de busca e apreensão envolvem diretores e funcionários do Banco Fictor, entre eles Rafael Góis, CEO e fundador do grupo, e o ex-sócio Luiz Rubini. Em novembro do ano passado, o banco Fictor tentou comprar o Banco Master com investidores árabes. O aporte foi de R$ 3 bilhões.
A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de bens, veículos e contas bancárias até o limite de R$47 milhões. Além disso, foram autorizadas quebras de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas e 172 empresas. A estimativa é que o prejuízo com as fraudes possa superar R$500 milhões.
De acordo com a investigação, o grupo usava empresas de fachada e estruturas empresariais para dissimular a origem do dinheiro. Funcionários inseriam dados falsos nos sistemas bancários para liberar saques e transferências indevidas. Depois, os valores eram convertidos em bens de luxo e criptoativos para dificultar o rastreamento.
Ainda conforme a PF, há indícios de que parte dos valores movimentados tinha origem em células criminosas vinculadas ao PCC.
A reportagem tenta contato com a defesa dos investigados.
Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva, além de crimes contra o sistema financeiro. As penas somadas podem ultrapassar 50 anos de prisão.