Ao menos 24 cepas de vírus variados foram transportadas sem autorização, no caso do furto de material biológico da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). A informação é do Fantástico, da TV Globo.
Segundo a apuração, dentre as amostras encontradas pela Polícia Federal estão zika vírus, dengue, chikungunya, coronavírus, herpes e outros 13 tipos que infectam animais.
Todos estavam dentro de um biofreezer, que opera a temperturas inferiores aos 80 graus negativos, no laboratório de biossegurança nível 3 (NB-3).
De acordo com a Polícia Federal, o doutorando e médico veterinário Michael Miller, teria sido o principal responsável pela remoção das amostras do Laboratório de Virologia, no Instituto de Biologia da Unicamp.
Os materiais foram transportados até outro laboratório na FEA (Faculdade de Engenharia de Alimentos). Estes itens foram dados como desaparecidos no dia 13 de fevereiro.
Michael é marido da pesquisadora Soledad Miller, que foi presa em flagrante e permaneceu detida por um dia. Ela responde ao caso em liberdade e está proibida de sair do Brasil.
O delegado-chefe da Polícia Federal de Campinas, André Ribeiro, explicou detalhes sobre a linha de investigação.
“Na segunda-feira [após o cumprimento do mandado de busca e apreensão], quando retornamos, localizamos parte do material dentro do laboratório que estava lacrado. Era sim o material que estava desaparecido. Como esse material estava armazenado na Engenharia de Alimentos, onde a professora suspeita atuava, essa conduta repousa sobre ela”, explicou ao Fantástico.
Uma das linhas de investigação apura se os 24 tipos de vírus levados teriam algum uso na empresa de biotecnologia do casal. As motivações do episódio estão sendo investigadas.
Em nota divulgada neste domingo, a Unicamp declarou que a empresa vinculada a Michael Miller participa da Incamp, a incubadora de empresa da Unicamp, que só pemite o uso de espaços compartilhados de escritório.
A Unicamp nega que, dentre as amostras retiradas sem autorização do laboratório, haja material geneticamente modificado.
Soledad Miller, a principal investigada no processo, deve responder por transporte irregular de organismo geneticamente modificado, fraude processual e exposição a perigo à vida e a saúde de outras pessoas.
O advogado Pedro Russo, que representa Soledad, foi procurado mas ainda não foi localizado. Além da Polícia Federal, o caso também é investigado pela Anvisa.