O início da semana começou difícil para motoristas de caminhão e furgões na região, que têm enfrentado dificuldades para encontrar diesel.
O Glauco, que possui uma frota para atender a uma empresa de materiais recicláveis em Campinas, conta que muitos postos da região da Avenida Ruy Rodriguez estavam desabastecidos.
“O posto nos comunicou que não havia recebido, até o momento, o diesel da distribuidora”, contou.
Segundo a CBN Campinas apurou, a Petrobras estaria diminuindo o repasse entregue para as distribuidoras de combustíveis, e elas têm reduzido a entrega para os postos. Em alguns casos, as remessas teriam sido cortadas em 30%.
Foi o que a reportagem confirmou ao circular por alguns postos às margens da Rodovia Anhanguera na manhã desta terça-feira (17). No local, o litro do diesel sem benefícios era vendido a R$ 7,09.
O gerente de posto, Marcelo de Arruda, confirmou o problema.
“Toda vez que pedem uma quantidade, é cortado. Não está vindo 100% a carga que a gente precisa diariamente. Então está bem racionado. [O preço] teve bastante variação, e o que eles repassaram pra gente, nós colocamos nas bombas também”, explicou.
É o que o caminhoneiro Domingos Anastácio, há 40 anos nas rodovias, também já percebe nas bombas. Ele conta que chegou a pagar R$ 11 pelo litro de diesel em Holambra.
“Há uns 10 dias, eu estava pagando R$ 5,69. Hoje, R$ 6,97. Tem posto por aí que já está cobrando R$ 10. Aí você faz um frete e eles não vão querer repor para nós”, lamentou.
Na sexta-feira (13), a Petrobras anunciou um reajuste de R$ 0,38 por litro de diesel, uma alta de 11,6%. Com isso, o valor médio do combustível da petroleira às distribuidoras subiu para R$ 3,65.
Em coletiva de imprensa, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que o aumento acompanha a política de preços da companhia, levando em conta o cenário internacional e evitando repasses imediatos de volatilidade ao consumidor.
Magda afirmou que a expectativa é de que os preços se estabilizem e recuem ao longo do ano.
O preço do barril de petróleo no mercado internacional também sofre com a situação da Guerra Irã, Israel e Estados Unidos. Na primeira semana de março, o barril tipo Brent ultrapassou a marca dos US$ 100.
Em nota, a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) declarou não ter identificado restrições à manutenção das atividades, ou à disponibilidade de combustíveis no mercado doméstico. A agência também declarou manter conversas próximas com os agentes e atuando para que não falte produto.
Em relação aos preços, a agência anunciou ter começado, nesta terça (17), uma operação de fiscalização em nove estados e no Distrito Federal, em parceria com a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) e com os Procons estaduais e municipais. Além da busca por preços abusivos, os trabalhos também vão verificar aspectos de qualidade e de quantidade dos combustíveis entregues.
Nós procuramos a Petrobras para questionar a informação de um suposto corte na entrega de combustíveis, mas não recebemos um retorno.
Reportagem atualizada em 17.mar.2026 às 20h12 para a inclusão da nota de posicionamento da ANP, enviada após o prazo de fechamento da primeira versão da matéria.
