O preço da cesta básica em Campinas caiu, em fevereiro, ao menor nível desde setembro de 2025. A conclusão é do monitor mensal do Observatório PUC-Campinas.
Segundo a instituição, o conjunto de 13 itens monitorados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) encerrou o segundo mês do ano cotado a R$ 776,46, uma queda de 1,77% em relação a janeiro.
Dentre os destaques que puxaram o preço para baixo aparecem o tomate, com redução de 21,2%; o açúcar, com queda de 8,47%, o leite, que caiu 7,02% e o óleo, que ficou 5,68% mais barato.
Na contramão, outros produtos monitorados experimentaram forte aumento em fevereiro. Foi o caso da batata, que avançou 14,98%; do feijão, que subiu 4,06% e da farinha, que ficou 3,52% mais cara.
No supermercado, no entanto, o sobe e desce de preços ainda parece indiferente ao consumidor. Juntos, eles repetem uma mesma mensagem: tudo continua caro e é preciso pesquisar. É o que contam a gerente de compras Patrícia, o microempreendedor Adeil e a cozinheira Neide.
“Eu costumo fazer compra em atacadistas para pegar preços melhores, porque se eu fizer uma compra em um mercado de bairro, eu vou pagar três vezes mais”, lamentou a gerente de compras Patrícia Silva.
“Hoje eu acho que o que está pesando mais são a carne, a fruta e as verduras. O feijão e o arroz a gente compra cinco quilos e passa pelo menos uma semana. Agora as carnes e as frutas estão complicadas”, contou o microempreendedor Adeil Sampaio.
“A carne está cara, mas não está subindo toda semana. Mas as leguminosas têm subido e, o pior de tudo: a qualidade está diminuindo em algumas coisas. Cenoura, por exemplo, o preço está super elevado e feia. Você não encontra uma cenoura bonita”, afirmou Neide Amorim, que mantém uma produção de marmitas congeladas.
Segundo o economista Pedro de Miranda Costa, do Observatório PUC-Campinas, as altas são explicadas, entre outros motivos, pelo período de entressafra.
“Isso é pelo fato de serem produtos que têm um ciclo relativamente curto e estão, realmente, muito sujeitos ao clima. E não só uma questão de safra, que é uma oscilação durante o ano, como uma oscilação em dias ou semanas. No caso específico do tomate, alguns dias em que faz mais calor, isso acelera o amadurecimento do tomate e faz com que aumente a oferta e o preço cai. E o contrário pode ocorrer também: um excesso de chuva ou, até, um excesso de colheita em um período imediatamente anterior faz cair a oferta e o preço volta a subir”, explicou o especialista.
Ainda de acordo com o Observatório PUC-Campinas, o custo da cesta básica comprometeu 47,9% da renda média do trabalhador que recebe um salário mínimo, hoje em R$ 1.621,00.
Considerando uma situação realista, em que uma família de quatro pessoas depende de, pelo menos, três cestas básicas do Dieese por mês, as despesas em fevereiro foram de mais de R$ 2.300.