As reclamações por barulho em Campinas atingiram um recorde em 2025 e acendem um alerta sobre a qualidade de vida em diferentes regiões da cidade. Dados obtidos junto à prefeitura mostram que o número de queixas registradas pelo canal 156 cresceu mais de 700% nos últimos cinco anos.
Em 2021, foram 148 reclamações ao longo de todo o ano. O número subiu para 560 em 2022, passou para 647 em 2023, chegou a 738 em 2024 e alcançou 1.220 registros em 2025. O crescimento acumulado é de 724% no período. Na prática, isso representa uma média de três denúncias por dia no ano passado.
As queixas vêm de várias regiões, mas alguns bairros concentram maior número de registros. O Cambuí lidera a lista, com 80 reclamações em 2025, seguido pelo Centro, com 58. Na sequência aparecem Jardim Nova Europa, com 39, Barão Geraldo, com 25, e Botafogo, com 24 ocorrências.
Os motivos também variam. A maior parte dos registros está relacionada a barulho, poluição sonora e perturbação do sossego, com 1.113 casos. Em seguida aparecem situações envolvendo pancadões ou carros com som alto, com 79 registros, além de reclamações sobre barulho do caminhão de lixo, com 28 ocorrências.
Moradores relatam que o problema é frequente e, em muitos casos, ocorre durante a madrugada. Na região central, próximo à Praça Bento Quirino, um morador que preferiu não se identificar afirma que o barulho de bares tem prejudicado o descanso.
“Mas você não consegue dormir… aí você tem que trabalhar no outro dia cedo… é uma desconsideração com quem está aqui no prédio todo“, relatou.
Em outro momento, ele registrou a situação por volta das três da manhã e criticou a ausência de fiscalização.
“São três horas da manhã, não tem uma viatura que passe aqui… nem guarda municipal, nem PM… independente das reclamações que você faça, a situação não muda“, afirmou.
Além de bares e festas, há registros de barulho causado por obras fora do horário permitido e também por veículos com som alto circulando em bairros residenciais.
De acordo com a comandante da Guarda Municipal de Campinas, Maria de Lourdes Soares, a perturbação do sossego pode ser caracterizada em qualquer horário, desde que os limites de ruído sejam ultrapassados.
“O que não pode é aquele som que ultrapassa os volumes permitidos aferidos por decibelímetro. As pessoas às vezes acham que até as 22 horas pode tudo, mas na verdade não“, explicou.
Ela também destacou que a alta demanda, principalmente entre sexta-feira e domingo, pode causar demora no atendimento das ocorrências.
“Nós temos uma demanda grande, especialmente nos fins de semana. Então, eventualmente, nós podemos demorar para fazer o atendimento dessa ocorrência“, disse.
Segundo as regras adotadas no município, os níveis de ruído permitidos giram em torno de 70 decibéis entre 7 da manhã e 10 da noite. Após esse horário, o limite cai para cerca de 50 decibéis.
A Guarda Municipal alerta que quem descumprir as normas pode ser multado. Dependendo da infração, o valor pode chegar a 15 mil reais.
A orientação é para que moradores registrem as denúncias pelos canais oficiais. O telefone 156 é o principal meio de contato com a prefeitura, enquanto o 153 aciona diretamente a Guarda Municipal.