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Projeto de leitura contribui para redução de pena e ressocialização de detentas em Campinas

Por trás de muitos portões fechados, uma rotina regrada. As decisões de um passado que refletem, minuto a minuto, no presente e no futuro. Para ajudar no processo de ressocialização,

Projeto de leitura contribui para redução de pena e ressocialização de detentas em Campinas
Foto: Vanderlei Duarte/EPTV

Por trás de muitos portões fechados, uma rotina regrada. As decisões de um passado que refletem, minuto a minuto, no presente e no futuro. Para ajudar no processo de ressocialização, as penitenciárias do Estado contam com um projeto de incentivo à leitura.

A cada livro lido, o ‘Palavras da Paz’ permite que o reeducando ganhe 4 dias de remissão da pena, com um limite de 48 dias por ano. A policial penal Danila Souza, que atua na penitenciária feminina de Campinas, explica detalhes do projeto.

“Ocorre a entrega do livro e ela tem de 21 a 30 dias para realizar a leitura. Depois de um período de uns 10 dias a gente reúne o clube para fazer uma discussão sobre a atividade, sobre o livro, e é realizada uma resenha, na presença de um funcionário. É um resumo do que ela entendeu sobre o livro, sobre a atividade.”

Penitenciária feminina de Campinas.
Foto: Toni Mendes/EPTV

Nessa unidade, uma média de 15 detentas participam do projeto para remissão de pena todos os meses. Também é possível ter acesso à leitura livre. Na penitenciária de Campinas, estão 520 mulheres e mais da metade delas – 280 – são leitoras.

O projeto teve início em 2024, com 62 presas. Fez tanto sucesso que, no ano passado, 141 reeducandas entraram pro clube de leitura. Para essas pessoas, cada página lida representa recomeço.

“Atualmente com a população em 518 reeducandas nós temos uma média muito boa – mais de 50% das reeducandas fazem a retirada de livros, realizam a leitura mesmo dentro da cela, não só no clube, que é realizado dentro da escola. No mês, é retirada uma média de 670 livros na unidade. É uma adesão muito boa das reeducandas. Temos uma monitora, que é uma reeducanda, que faz o cuidado dessa biblioteca e faz a distribuição dos livros entre a população”, contou a policial.

Essa reeducanda é a “Joyce”. O nome foi trocado para preservar a identidade. Ela está presa há mais de 11 anos.

“A gente tá presa aqui dentro, a gente sabe que tá cumprindo a nossa pena, que é algo… Nossos erros, nossas escolhas, a gente sabe disso. Eu saí de Votorantim, fui para Mogi Guaçu, já entrei também trabalhando na escola… Fui transferida para cá e faz um ano e um mês que eu me encontro trabalhando aqui também na unidade, na parte da educação,” disse.

Projeto de leitura contribui para redução de pena e ressocialização de detentas em Campinas
Foto: Vanderlei Duarte/EPTV

“É algo que eu gosto, a educação, os livros. Já trabalhei de lecionar os cursos nas outras unidades, de monitora de sala de aula, sempre voltada para educação”, afirmou Joyce.

Ela encontrou na leitura uma maneira de se transportar para outros mundos – e quantos mundos. Já foram mais de 200 livros lidos até hoje.

“Sempre falo que eu nunca vou conseguir abandonar os livros, é algo que está dentro de mim. Eu leio bastante, eu gosto. Tira a ociosidade, tira a gente daqui. Você se transporta para o mundo da leitura, você se coloca no personagem. Às vezes você se identifica com o personagem, então você vive aquilo que você tá lendo.”

Nas palavras de cada página, Joyce encontra não só histórias, mas a chance de ficar cada vez mais próxima de mudar de vida.

“Eu que to dentro da escola, com as meninas, ajudando no que eu posso, eu vejo que muitas mudam de vida, transforma. Muitas fazem isso não só pela remissão, mas também pelo aprendizado – e que mudam”, contou a reeducanda.

Projeto de leitura contribui para redução de pena e ressocialização de detentas em Campinas
Foto: Vanderlei Duarte/EPTV

Esse é só um dos projetos voltados para educação que existem na penitenciária, como explica a diretora de departamento da unidade, Luciana Proença. “Eu acredito que a educação é transformadora. É uma ferramenta muito importante no processo de formação – não só profissional, mas também pessoal. A gente sabe que muitas que estão aqui muitas vezes não tiveram acesso à educação lá fora.”

“Aqui é uma oportunidade que elas têm de terem esse acesso, seja no ensino fundamental – algumas chegam semianalfabetas, então elas aprendem desde o início. Têm os cursos profissionalizantes, uma oportunidade maravilhosa para elas terem um recomeço de vida. Porque o nosso objetivo com unidade prisional é proporcionar não apenas a custódia. Isso faz parte, mas a gente quer ir muito além”, apontou a diretora.

Projeto de leitura contribui para redução de pena e ressocialização de detentas em Campinas
Foto: Vanderlei Duarte/EPTV

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